# Crónica 10 de 2018 | TPC - Muitos, poucos ou nenhuns; Vantagens e desvantagens; Como gerir? - Parte III e última


Encerramos hoje a temática T.P.C. com um terceiro texto que pretende ajudar os pais a lidar com os trabalhos que os seus filhos levam para casa. O mais importante, para mim, é encontramos estratégias para gerir os T.P.C. dos nossos filhos, adaptadas à realidade de cada um e aos ritmos de cada família. Enquanto pais, devemos estar lá para eles, e mesmo não concordando com alguma coisa relativamente aos T.P.C. dos nossos filhos, seja a frequência ou a quantidade, devemos tentar apoiá-los na sua concretização o mais possível. Vamos ver as dicas que o Hugo nos deixa para esta tarefa?

E na terceira semana vamos terminar o tema dos T.P.C., depois de os ter dividido da seguinte forma: 

1. Reflexão sobre o tema (prós e contras) 

2. Dicas sobre a gestão de tempo e sobre a gestão da tarefa em si (duração da tarefa, quantidade, qualidade e obrigatoriedade) 

3. Dicas sobre o pós-TPC e sobre o plano macro (Correcção, Auto-avaliação, Métodos de Estudo e Erros dos TPC) 

Assim, e depois deste rápido enquadramento, passemos aos pontos e sugestões de hoje: 

- Correcção 

Os trabalhos de casa incluem não apenas a execução de tarefas escolares, mas igualmente a revisão posterior das mesmas. A correcção dos T.P.C. não deve ser esquecida, podendo ser feita na escola, em grupo, ou em casa, como T.P.C. 

É essencial aprender a fazer, a errar e a corrigir. Sem erros não se aprende. E sem identificar os mesmos também não. 

- Auto-avaliação 

Na pedagogia é importante não só a tarefa, mas também o antes (o planeamento) e o depois (a avaliação). A avaliação pode ter critérios sem ser apenas a correcção dos T.P.C. em si, ensinando assim aos alunos estratégias de auto-monitorização e avaliação do auto-desempenho. Este item é na sua generalidade esquecido. 

- Métodos de Estudo 

Outra variável essencial que pode ser manipulável através dos T.P.C. são os métodos de estudo. Ou seja, a realização de T.P.C. poderá e deverá ajudar o aluno a desenvolver técnicas de estudo, seguindo os princípios já largamente estudados e identificados. 

Há muita literatura sobre isto e por isso é fácil para um professor ou para os pais informarem-se um pouco sobre esta temática. E se tiverem dúvidas podem perguntar ao psicologo.pt 

- Erros dos TPC 

Por fim, vou enunciar alguns erros clássicos e comuns sobre o tema dos T.P.C. 

· “Sou a favor ou sou contra”: os T.P.C. não são bons nem maus e reduzi-los a um gradiente de duas cores (preto e branco) pode ser redutor. Se for preciso, mude-se de nome e em vez de chamar T.P.C. chame-se “estudar”. 

· “Eu estive a fazer os T.P.C. até tarde com o meu filho”: esta frase é muito comum e incorreta. Os T.P.C. são para os alunos e não para os pais. Mesmo que os pais sejam os professores em casa, o que eu considero uma boa opção (vamos falar disso a seguir), os T.P.C. não são deles. Se os sentem assim, é porque há algo a mudar nesse padrão 

· “Perco a calma a tentar que ele faça os T.P.C.”: eu considero ser uma boa opção serem os pais os professores em casa, que monitorizam ou apoiam nos T.P.C. ou nos métodos de estudo. Podem fazê-lo de forma tão boa ou melhor que um centro de estudos, A.T.L. ou explicador. Contudo, nunca chegar ao extremo de os T.P.C. serem um desgaste e uma razão de discussão. Se assim for, esqueçam os T.P.C. Não os façam ou deixem-nos para profissionais. O seu filho precisa muito mais de uma mãe ou de um pai do que de conteúdos escolares. Sem ir à escola sobrevive-se. Sem ser amado não. 

Terminamos assim o tema, de forma muito sucinta e focada. Tentei não me prolongar, mas é claro, se tiverem dúvidas ou se o tema surgir novamente, terei todo o gosto em conversar novamente sobre o mesmo. 

Abraço, 

Hugo Santos, Psicólogo 

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