# Our family | A montanha russa da maternidade [E o maior susto que já apanhei enquanto mãe]


Ter filhos é das coisas mais avassaladoras que já vivi! O misto de emoções, o loop de sentimentos, os picos de ansiedade em oposição aos picos de felicidade. Não sei se tenho capacidade para descrever em palavras o que significa para mim viver a maternidade, mas a semana passada foi um bom exemplo, teve situações que me marcaram profundamente e que a mulher / mãe que sou nunca vai esquecer.

Ter um filho doente é das piores coisas que uma mãe pode viver. E não me estou a referir a uma doença grave, crónica, que isso felizmente não sei o que é, mas às doenças comuns dos miúdos. Na semana passada o Daniel adoeceu, com uma virose chata daquelas que provoca diarreias, febres altas e vómitos. Foram vários dias com ele mal, sem reagir à medicação, prostrado, sem conseguir sequer dormir. Foram vários dias a tentar que se sentisse menos mal, a ampará-lo enquanto estava mal disposto, com cólicas, com febres altas,  a dar colo e mimo o mais possível.


Ao mesmo tempo, a irmã ao meu lado, embora consciente de que o irmão precisava mais de mim, também tinha as suas necessidades. Também queria atenção, precisava de comer, dos seus horários e rotinas minimamente organizados, das suas brincadeiras. Teria sido mais fácil se a tivesse levado ao colégio, mas estava sozinha com os dois, e não tinha como sair para a levar estando ele como estava. A opção foi ficarem ambos em casa. A opção foi a que exigiu mais de mim. Ela ficou feliz por poder ficar e a verdade é que não me dificultou nada a vida.

E isto é tudo muito bonito no primeiro dia. E no segundo. Mas ao terceiro, e já com as horas de privação de sono a acumular, começa a tornar-se mais e mais difícil. Há um momento em que entramos em histeria. Estamos em completa exaustão. Na verdade por mais que se amem os filhos, precisamos de sentir que somos nós! Estar 24 sobre 24h com eles asfixia-nos. O centro das atenções são eles sempre! Mesmo quando pensamos ter 5 minutos só para nós, nem que seja debaixo do chuveiro, há sempre alguma coisa que o impede. Nem que seja um filho sentado na sanita com uma vontade inadiável de fazer cocó.

Depois, num segundo, tudo muda. Atiramo-nos para o chão em lágrimas, com o coração a sair do peito, tonturas, quase a vomitar de tanta aflição. Não nos lembramos mais que tudo o que queríamos era um bocadinho para nós. E porquê? Vou-vos explicar.

No domingo à tarde, já com o Daniel significativamente melhor e tudo muito mais tranquilo, enquanto o pai tinha ido regar a horta, o Daniel e a Carolina sentaram-se ao meu lado a percorrer o feed do Instagram e a verem vídeos deles próprios quando eram mais pequeninos. Andavam algures em 2014, entre exclamações de surpresa, observações como: “oh mana eras tão fofinha!” , sorrisos, festinhas um ao outro, quando de um segundo para outro e sem perceber como, vejo a Carolina ao meu lado a sufocar! Ficou vermelha, abriu muito a boca e os olhos e começou a emitir uns sons guturais de aflição... olhei para ela e perguntei em berros: “Carolina o que foi?”, e no meio da aflição ela conseguiu responder: “berlinde...”

Tinha posto um berlinde na boca e estava preso na garganta.

Não me perguntem como, mas não pensei! Peguei nela, virei-a ao contrário e dei-lhe duas valentes palmadas nas costas. Com tanta força que me ficou a doer a mão. O berlinde rebolou pelo chão de madeira. Caí no chão com ela ao colo e chorámos juntas, abraçadas, não sei durante quanto tempo.

Quando olhei para o sofá o Daniel, em silêncio, sem mexer um dedo, estava fixo em nós. Chamei-o. Juntou-se ao nosso abraço em silêncio. Ficámos assim.


Depois de acalmar conversámos sobre o que se passou. Expliquei que o que tinha acontecido era mesmo muito perigoso e o que acontecia se o berlinde não tivesse saído. Há quem diga que sou bruta a explicar este tipo de coisas, eu acho que sou objectiva e que eles devem receber explicações claras e objectivas, sem demasiado detalhe mas que os façam compreender a realidade. Acho que entenderam. Em Março passado o filho de uma mãe australiana que sigo no Instagram sufocou com uma bola saltitona enquanto brincava a dois passos da mãe. Na altura, a Carolina viu-me de lágrimas nos olhos a ver as fotografias e a ler sobre o acidente e perguntou sobre o que se passava. Expliquei-lhe. No domingo lembrei-me dele e a Carolina também. 

O berlinde em questão faz parte de um jogo de madeira do Lidl. Um jogo tipo pista onde os berlindes escorregam e fazem os percursos. Já o têm há imenso tempo e adoram-no, mas no domingo, aquele berlinde, foi para o caixote do lixo. Foi como se significasse algo de mau. Foi a reacção que consegui ter depois do que aconteceu. Não me vou desfazer do jogo, nem dos restantes berlindes, porque racionalmente sei que provavelmente a dimensão do berlinde não implicaria um perigo assim tão grande para os meus filhos, mas é sempre preciso ter cuidado.


Tudo isto para dizer que não deve haver nada na vida que nos seja mais importante do que os nossos filhos. Nada que nos faça mudar tão depressa de humor, de sentimentos, de prioridades. Por digo, e atenção que nunca andei em nenhuma, que ser mãe é uma aventura maior do que andar de montanha russa.

1 comentário:

Sofiazinha disse...

:(

Que valente susto (eu pergunto-me se teria esse tipo de reacção rapidíssima...julgo que sim, mas de facto é assustador). Ainda bem que tudo está bem.

Beijinho