Our family | Não sei se vou ter mais filhos


Hoje de manhã, avisou-me a aplicação do telemóvel que o meu próximo ciclo menstrual está prestes a começar. Comecei a usá-la no mês passado, por influência de partilhas de Instagram da Sofia, e desde que engravidei que não fazia qualquer controlo dos meus ciclos. Há muitos anos que me fartei de rotinas de anticonceptivos, de períodos férteis, de TPM's e afins. Perguntam-me muitas vezes se quero ter mais filhos, e se responder por impulso digo logo que sim, mas a verdade é que não sei se vou ter, e já vão perceber porquê.


Partilhei esta história tão pessoal há quase 1 ano, na plataforma Capazes [podem ler a versão original aqui]. Senti que passados quase 5 anos desde que fui mãe, e depois de ter duas amigas que passaram pelo mesmo que eu e que finalmente conseguiram também elas o seu final feliz, estava na hora de o fazer. 

Tenho 39 anos e sou mãe de um casal de gémeos de quase 6 anos. Não sei se vou ter mais filhos, mas por opção, não tomo anticonceptivos há 15 anos. A médica que me segue aborda este tema sempre que nos vemos, porque tem a certeza que um dia destes vou ter com ela entre a felicidade e o nervoso miudinho para lhe dizer que estou grávida outra vez. Eu, que no fundo gostava que isso acontecesse, por alguma razão acho que não vai acontecer, e continuo convicta de que não vou voltar a tomar anticonceptivos. É uma espécie de bloqueio mental que provavelmente a psicologia explicaria, mas que eu sozinha não consigo resolver e, sinceramente, não é coisa que me preocupe.

Saí de casa dos meus pais aos 23 anos. Acabada de sair da faculdade, já com trabalho fixo e seguro, fiz o que a sociedade me impôs. Comprei casa, mobilei-a e casei com o namorado da faculdade. Um verdadeiro conto de fadas e uma vida cor-de-rosa, sem dificuldades de nenhuma espécie. Tudo corria como e quando eu planeava. Até ao momento em que ambos decidimos mais uma vez ceder à pressão da sociedade e deixei de tomar a pílula porque queríamos ter filhos! Já não sei bem quando é que isto aconteceu, mas penso que ainda nem 1 ano depois de casarmos. Continuámos a nossa vida normal e o tempo foi passando. Dia após dia, semana após semana, mês após mês. Aquilo que parecia ser a continuação do conto de fadas começou a “mudar de cor” quando, de cada vez que nos perguntavam “Então e bebés?”, já não respondíamos com um sorriso nos lábios e com “um dia destes” mas antes com uma amargura escondida de quem gostava de ter uma resposta para dar. Eu, a rapariga que planeava tudo, não estava a saber lidar com um imprevisto nos meus planos.

Cerca de 1 ano depois, e sem conseguir engravidar, procurei ajuda. Descobri o significado da palavra infertilidade, e comecei a tomar medicação para estimular a ovulação. As alterações hormonais que os medicamentos me provocavam foram avassaladoras. Sentia-me no fio da navalha. Mudei de médica, fiz mais medicação, tomei injecções, e nada. O tempo continuava a passar e o desespero era cada vez maior. Mudei mais uma vez de médica, porque na verdade a anterior não tinha criado qualquer empatia comigo e senti que não era a pessoa certa para me acompanhar. Com esta nova médica, com quem ainda hoje continuo, a abordagem foi outra. Fiz análises hormonais e genéticas, fiz controlo de ovulação com ecografias, fiz um exame com o nome feio de histerossonosalpingografia [que foi tão marcante que nunca mais me esqueci do nome]. Este exame é basicamente a injecção de um contraste nas trompas para verificação com um ecógrafo da permeabilidade, ou seja, para verificar se há alguma obstrução nas trompas que impeça os espermatozoides de chegarem ao óvulo. Não é um exame fácil, e só o consegui fazer à 2.ª tentativa, pois na 1.ª desmaiei assim que o contraste começou a ser injectado [e o pior é que tive que esperar mais 3 meses para o poder repetir]. Um mês, hoje em dia, não me parece nada, mas um mês na vida de um casal infértil é uma eternidade. É mais um mês em que não se consegue engravidar, é mais um mês em que se tem que tomar mais medicamentos. É mais um mês em que se sofre muito em silêncio.

Todos estes exames, controlos e testes levaram à conclusão mais comum e na minha opinião mais frustrante – Infertilidade inexplicada. Não há nada de errado, não se detecta nenhuma causa para não engravidar, mas a gravidez não acontece. Disse e repito que para mim era melhor detectarem-me um problema concreto. Se tivermos um problema, lidamos com ele, seja qual for a forma. Neste caso, em última análise, seria confrontada com a hipótese de não poder engravidar. Estava preparada para isso. Mas não ter nada dificulta a estratégia de acção, e a mim, psicologicamente, deitou-me ainda mais abaixo.

A abordagem clínica que foi seguida, numa primeira fase, foi a estimulação da ovulação com controlo ecográfico. Ou seja, tomava medicamentos para estimular a produção de óvulos viáveis, e fazia ecografias de controlo antes e depois da ovulação ocorrer. Passei a ter tudo anotado na agenda. Os dias em que menstruava [registo que já fazia], os dias em que tomava os medicamentos, os dias em que ovulava, os dias em que devia ter relações sexuais. Sim, porque nestes processos, o que ainda acaba por ser pior, é que toda a nossa cabeça, as Apps no telemóvel e as agendas em papel são uma enorme anotação de fenómenos hormonais e sexuais. Face a esta realidade, descontrair, esquecer, desvalorizar ou tentar não fazer disso um bicho-de-sete- cabeças torna-se impossível.

A verdade é que não engravidei. O meu casamento acabou [só fazer uma ressalva porque tendo consciência de que a questão da gravidez teve algum peso, não foi por si só a causa do fim do meu casamento.] Tive outro relacionamento mais curto onde poderia ter engravidado porque estava descontraída e sem tomar anticonceptivos, e continuei sem engravidar. Até que arrumei o assunto comigo mesma. Numa das muitas noites que passei sozinha com uma manta e o meu gato ao colo no sofá cá de casa, decidi que um dia mais tarde iria inscrever-me para adopção sozinha e ser mãe. Porque todo este processo nunca me fez desistir. Sempre continuei convicta de que a minha vida passava por ser mãe.

O tempo foi passando e comecei a namorar com o pai dos meus filhos. Começámos a viver juntos quase imediatamente e casámos passados dois anos. Dois anos de sexo desprotegido e sem gravidez. Tínhamos falado sobre isso, ele sabia [obviamente] de todo o meu percurso, e estávamos tranquilos quando ao facto de eu não tomar anticonceptivos. O tempo passou mais uma vez sem que surgisse uma gravidez e a determinada altura, uns meses depois de casarmos, decidimos que estava na hora de fazer algo mais. Marcámos consulta com a minha médica, e ela explicou tudo novamente, porque embora para mim não fosse novidade, enquanto casal éramos um “caso” novo e a abordagem, com excepção dos exames que eu já tinha feito, teria que ser novamente estudada. A minha idade já era outra, tinha 31 anos e o tempo disponível para esperar já não era o mesmo. Se queríamos ter filhos tínhamos que ser mais agressivos. Recomendou-nos que nos inscrevêssemos na consulta de infertilidade de Santa Maria. Escreveu uma carta para entregarmos no hospital, deu-nos os contactos e mandou-nos fazer a inscrição rapidamente, pois o serviço tinha uma lista de espera de cerca de 1 ano para a 1.ª consulta. E foi o que fizemos. Entretanto recomendou que tentássemos não pensar muito no assunto e que fizéssemos a nossa vida normal.

Inscrevemo-nos em Santa Maria, convictos de que só lá para perto do Natal de 2011 poderíamos eventualmente ser chamados para uma primeira consulta. No início desse ano, fui chamada para uma consulta de medicina no trabalho e, quando estava a fazer a biometria com a enfermeira [que já conhecia há alguns anos e com quem tinha confiança] contei-lhe da situação em que estava. Ela reagiu de imediato, dando-me o contacto de um médico que a acompanhava há anos, que lhe tinha feito o parto dos filhos [dois rapazes gémeos já com vinte e tal anos] e que era especialista em infertilidade. Tinha uma clínica em Lisboa e era o director de serviço em Santa Maria. Nesse mesmo dia, marquei consulta com o Prof. Dr. Carlos Calhaz Jorge. Passados alguns dias, nervosos e cheios de envelopes com exames e resultados de análises, lá fomos à consulta e o veredicto foi o que já sabíamos – Infertilidade Inexplicada. A abordagem que nos recomendou foi fazer uma FIV. Deu-nos imenso que ler, preços, taxas de sucesso e disse-nos para reflectirmos os dois sobre o processo e tomarmos uma decisão.

A nossa decisão foi fácil, porque já tínhamos discutido bastante o assunto e decidido que não queríamos enlouquecer na tentativa de ter filhos. Queríamos tentar, mas não queríamos gastar rios de dinheiro em procedimentos médicos complicados com taxas de sucesso baixas, vezes sem conta. Esperaríamos pacientemente na lista de espera do hospital, faríamos as três tentativas possíveis pelo SNS e acabava. E se mesmo assim não conseguíssemos, inscrevíamo-nos para adopção e esquecíamos a gravidez. Afinal, eu até tinha acabado de ganhar mais um irmão, o 4.º de nós, que tinha na altura 1 ano e meio, porque os meus pais com quase 60 anos e 3 filhos adultos decidiram adoptar. Para nós a adopção fazia sentido, conhecíamos o sistema e estávamos dispostos a seguir esse caminho.

Arrumámos a pasta da clínica do Dr.º Calhaz Jorge e esperámos. O tempo foi passando, chegou o mês de Julho e fomos de férias. As últimas férias a dois, embora nem sequer o imaginássemos. Estávamos na Meia Praia em Lagos em casa de uns amigos, quando por mero acaso num dos poucos momentos em que num dia de praia estava sentada na toalha, o meu telefone tocou. Era um número fixo de Lisboa, atendi, e do outro lado ouvi dizer que na semana seguinte tinha a minha primeira consulta de infertilidade em Santa Maria. A senhora deu-me uma série de indicações e eu, meio gelada, fui dizendo que sim e desliguei. A tremer e sem saber bem o que pensar, contei ao meu marido o teor do telefonema. Ficámos em silêncio uns momentos, conversámos depois sobre o assunto e decidimos que íamos manter o mesmo pensamento. O que for será.

No dia da consulta tínhamos que lá estar cedo pelo que não fomos trabalhar. Eu deveria ir em jejum pois ia fazer uma enorme bateria de análises. Fomos postos ao corrente de como se processa tudo neste serviço hospitalar, os timings, e mais uma vez, as taxas de sucesso. Foram-nos marcados mais exames a ambos, que fomos logo marcar aos serviços respectivos no hospital, e que depois de feitos deveriam conduzir-nos a uma segunda consulta onde a estratégia seria delineada. Passámos por toda esta fase em cerca de 3 semanas, e na consulta seguinte fomos saber o veredicto. Pela terceira vez ouvimos a conclusão de que realmente no nosso caso estávamos perante uma Infertilidade Inexplicada. A abordagem com maior taxa de sucesso era a FIV, mas havia um procedimento muito menos evasivo que poderíamos fazer entretanto, enquanto ficávamos em lista de espera para a FIV. Chamava-se Inseminação artificial. A Inseminação Artificial consiste na colocação de uma amostra de sémen previamente preparada em laboratório no interior do útero para, aumentando o potencial dos espermatozoides, aumentar também as possibilidades de fertilização do ovócito. Não é entendido como um tratamento mas como um facilitador da fertilização. Concordámos que seria uma boa opção, e embora sem grandes expectativas, avançámos. A primeira tentativa ficou marcada para meados de Setembro.

Para ajudar ao sucesso do procedimento foram-me prescritos medicamentos de estimulação hormonal para que o ovário tivesse uma maior probabilidade de gerar óvulos viáveis. E lá andei eu novamente a tomar comprimidos e a apanhar injecções com hora marcada.

No dia, bastante nervosa, mais por não saber bem como me ia sentir do que pela esperança de ter sucesso logo à primeira, submeti-me ao procedimento. Nunca me vou esquecer de como estava gelada, com formigueiro no corpo, deitada numa marquesa, com o meu marido a dar-me a mão e a equipa médica à minha volta. Trouxeram o sémen e ainda fizeram uma piada sobre se teriam trazido a amostra certa ou se não tinham trocado. Ri-me, mas não achei graça nenhuma. Só me queira ver dali para fora! Depois de ter ficado uns minutos deitada após o procedimento, disseram-me que podia ir, e que dentro de duas a três semanas podia fazer o Beta HCG e se desse negativo e menstruasse marcava nova consulta.

Nas duas semanas que se seguiram não fui trabalhar, fiquei em casa, nervosa mas a tentar relaxar, a descansar, sem beber álcool, a ter todo o cuidado com a alimentação. Convenci-me que isso ajudaria a que resultasse. Na verdade, embora sem que na altura tivesse consciência disso, criei expectativas. Muitas aliás. No dia em que me apareceu o período senti-me mais uma vez a desmoronar. Era mais um falhanço, mais uma tentativa que não resultou, mais uma decepção. Reagi de forma fria e marquei nova consulta em Santa Maria.

Na consulta seguinte disseram-me que poderíamos repetir a Inseminação em Novembro. Seria necessário um ciclo de interrupção e no seguinte tomava novamente os medicamentos, e repetíamos o procedimento. Não pensei muito mais no assunto e limitei-me a deixar o tempo passar, desanimada e sem esperança. No dia marcado, 15 de Novembro, repetimos tudo. Saímos do hospital e lembro-me de estarmos a passar a Ponte 25 de Abril. Estava Sol, olhei para o lado do mar e pensei para mim: “Neste momento pode estar a acontecer a fecundação”. Depois sorri e afastei o pensamento chamando-me parva a mim mesma. Não quis criar expectativas e tentei não pensar mais no assunto. No dia seguinte fui trabalhar. Não fiz nenhuma restrição, e fiz tudo o que me apeteceu fazer sem pensar numa possível gravidez. E assim foi até ao final do mês. No dia 30 o meu marido ia para fora em trabalho, e ia estar fora uns dias. O Beta HCG seria para fazer apenas 3 semanas após a inseminação, mas como tinha a certeza que ia dar negativo, achei por bem fazê-lo antes de ficar “sem marido” para que a notícia de mais um negativo fosse logo digerida a dois. Não queria correr o risco de estar sozinha quando menstruasse porque sabia que me ia abaixo mais facilmente. Fui à clínica ao pé de casa e fiz a colheita de sangue. O resultado chegaria ainda nesse dia. Fui trabalhar e ao final do dia fui buscar o envelope para abrirmos os dois. Ao entregar-me o envelope fechado, e sem consciência do que estava a fazer, a menina da clínica disse-me: “Sara provavelmente a doutora vai querer que repitas o exame daqui a mais uns dias porque o valor ainda está um pouco baixo”. Fiquei sem perceber bem o que ela queria dizer com isso, mas apressei-me a sair dali e, de envelope na mão, corri para junto do meu marido. Abrimos o envelope e ficámos a olhar para o boletim. O valor que aparecia era de 195. A legenda dizia que acima de 100 era positivo. Estava grávida.

Os minutos que se seguiram foram cheios de emoção. Não sabíamos se havíamos de rir ou chorar, acho que fizemos as duas coisas! Baralhados, sem saber bem se estávamos a ver bem as coisas, se era mesmo positivo. Eu muito céptica, achei que o valor era muito baixo e que poderia ser um falso positivo induzido pela medicação. Só quando no dia seguinte falei ao telefone com a médica do serviço de infertilidade e ouvi com todas as letras “Parabéns! Está grávida. Não há falsos positivos numa análise ao sangue. Quero-a cá daqui a duas semanas.” é que comecei a acreditar.

Na verdade a caminhada foi tão longa e psicologicamente tão dura, que demorei uns dias até interiorizar que estava realmente grávida. Entretanto falei também com a minha médica, e fiz a primeira ecografia duas semanas depois, com 5 semanas de gestação. Foi nessa primeira ecografia que ela me disse “Definitivamente são dois”. Não só estava grávida, como ia ter dois filhos! A taxa de sucesso da inseminação intrauterina é de cerca de 15% por ciclo, e a taxa de gravidez gemelar é inferior a 10%. E eu fazia parte dessa pequena percentagem.

Costumo dizer que me saiu a sorte grande. Depois de tudo o que passei, tive a sorte de ter dois filhos lindos e saudáveis que hoje são a minha vida. Mas infelizmente há casos que não acabam assim. A infertilidade conjugal tem uma prevalência da ordem dos 15-20% na população em idade reprodutiva. Em média, 10% dos casais inférteis apresentam uma infertilidade inexplicada. Mesmo com recurso a FIV, apenas 35-45% dos casais conseguem engravidar.

Pessoalmente penso que o importante é ter as ideias bem arrumadas e saber o que se quer. Cada caso é um caso e não há que fazer comparações. A minha história é um exemplo positivo e por isso a escrevi. Sempre soube que queria ser mãe, mas a determinada altura tive que ser capaz de aceitar que o percurso para o ser poderia não passar pelo convencional. Tive a imensa sorte de só “viver” num serviço de infertilidade hospitalar cerca de 6 meses, mas pelos corredores e salas de espera, vi casais que já conheciam todas as pessoas que lá trabalhavam pelo nome, que lhes conheciam as histórias de vida, e que passavam mais tempo das suas vidas a lutar para ter um filho do que deveriam.

O meu conselho a quem passa por uma situação destas é que tentem digerir bem o processo e aceitar o que a vida vos reservar. A decisão de ter ou não filhos é pessoal. Devemos tomá-la com consciência e não porque socialmente somos pressionados a fazê-lo. A decisão de lutar para o conseguir é ainda mais importante e pessoal. Deve ser tomada enquanto casal, mas principalmente a mulher, que fisicamente sofre muitas alterações hormonais, deve estar consciente de que realmente é isso que quer. Se estão nessa luta, coragem! Seja o que for que a vida tem reservado para vocês, irá chegar. Um dia uma amiga disse-me uma frase que a sua avó lhe dizia muitas vezes: “Tudo o que tiver que ser, será!”. E é a mais pura das verdades, embora por vezes demore algum tempo para nos fazer sentido.

Hoje quando me perguntam se quero ter filhos e me apetece gritar que sim, na maioria das vezes encolho os ombros e faço um sorriso amarelo. Porque sim, queria ter mais filhos, mas não sei se a vida mos vai dar. Não tenciono fazer nada para ter, nem para não ter. Vivo um dia de cada vez, aproveito os meus filhos o mais possível, e a verdade é que se ficar por aqui estou bem e sou feliz! A vida se encarregará de me mostrar o que tem reservado para mim.

Sem comentários: