# Our family | Os miúdos e a televisão


Há uns anos atrás, ainda sem filhos, conheci uma pessoa que por opção não tinha televisão em casa. Tinha um filho, na altura penso que pela idade que os meus filhos têm hoje, e afirmava com todas as certezas que não ter televisão em casa era o melhor para ele. Confesso que achei que ela era meio louca, que era um exagero, mas hoje, à distância que a maturidade de mais 10 anos me trouxe e já enquanto mãe, não vou dizer que subscrevo a opção de não ter televisão em casa mas já a consigo entender.


Quando eram mais pequeninos, o Daniel e a Carolina viam bastante televisão. Muitas vezes porque me dava jeito, porque estava sozinha com os dois e tinha jantares para fazer, roupas para tratar etc, e a televisão acesa no Baby TV com duas espreguiçadeiras em frente, fazia milagres. Não me sentia muito satisfeita com essa opção, mas a verdade é que tinha que tirar partido dela para me conseguir organizar.

Entretanto foram crescendo, e felizmente não ficaram muito viciados em televisão. Iam vendo, principalmente ao final do dia, mas nada de exageros. 

Já não sei precisar que idade tinham quando começaram a ficar mais interessados no tema, mas sei que terá correspondido à altura em que aprenderam a mexer nos comandos sozinhos, eventualmente com 3/4 anos. E a partir daqui, as regras do jogo tiveram que mudar.

Sou completamente contra a decisão de optarmos por deixar os nossos filhos em frente a écrans, E se hoje falo sobre a televisão, os tablets ou os telemóveis para mim estão na mesma categoria. Mas também não sou a favor da proibição total, até porque, actualmente, 99% dos programas que eles gostam de ver são muito educativos e pedagógicos e eles aprendem coisas novas só a ver televisão. Mas, como em quase tudo na vida, acho que precisamos de colocar tudo no prato da balança e aplicar a moderação. Até porque há muito mais coisas interessantes para fazer do que ver televisão, pelo que cá por casa, vêem televisão sim, mas com algumas regras!

Não têm horários definidos, não têm uma rotina instituída, mas sabem que se pisam o risco, a televisão se desliga de imediato. E em que é que considero que se aplica a expressão "pisar o risco"?

1. Quando deixam de fazer o que têm para fazer porque ficam especados a olhar para a televisão,;
2. Quando se zangam um com o outro por causa da televisão;
3. Quando fazem birra porque chegou a hora de parar de ver televisão para ir tomar banho, comer, dormir ou outra coisa qualquer;

E se calhar até existem outras situações que se aplicavam aqui mas que de momento não me ocorrem, mas acho que perceberam o que está em causa, certo?

A verdade é que, mais com o Daniel do que com a Carolina, é comum que ele fiquem completamente noutra dimensão quando vêem televisão. Deixam de estar ali. Deixam de responder. Deixam de reagir. Deixam de ouvir o que se passa à sua volta. Ficam tão absorvidos que "desligam". Há quem diga que é uma coisa comum, mas a verdade é que no caso do Daniel, na maioria das tarefas, ele é muito focado e concentrado pelo que não posso estranhar que também o seja a ver televisão. Mas, quando me apercebo de que está demasiado fixado no écran, regra geral, vou ter com ele, proponho-lhe uma alternativa, e embora por vezes a custo de algumas lágrimas acaba por ceder e dedica-se a outra coisa.

Já percebi que há situações em que a televisão gera birras. Normalmente isto acontece quando têm que interromper o programa para sair de casa, comer, tomar banho etc. Nessas situações sou completamente inflexível pois a prioridade são as rotinas da família e nunca a televisão.

Já ficaram várias vezes de castigo sem ver televisão por alguns dias. Já os forcei a interromper o programa e dedicarem-se a outra brincadeira em situações em que achei que era o melhor, e a verdade é que mesmo quando choram e reclamam, acabam por aceitar.


Uma coisa que muitas vezes lhes proponho em alternativa à televisão quando estamos os três sozinhos em casa ao final do dia é que venham para a cozinha enquanto estou a tratar do jantar e façam desenhos. Mesmo quando reclamam que não lhes apetece e que antes querem ver televisão, acabam por concordar e divertem-se. Adoram desenhar, adoram fazer números e letras em cadernos, adoram desenhar a família, fazer "postais" para oferecer a familiares e amigos. Não há aliás, com toda a certeza, pessoas que nos sejam próximas que não tenham já recebido um postal, um desenho, ou uma outra qualquer "obra de arte" assinada por eles.



A televisão pode também ser utilizada a nosso favor. Por exemplo, nas manhãs em que estamos os três sozinhos, uso a seguinte estratégia: depois de tomarmos o pequeno almoço, e enquanto tomo duche, deixo-os a vestirem-se com a combinação de que depois de vestidos, já com a cara lavada, e mediante uma inspecção minha, podem ir ver televisão enquanto acabo de me despachar. Se funciona? Claro! Dá-me tempo para me conseguir despachar e dá-lhes a eles autonomia no sentido de os incentivar a levar uma determinada tarefa a cabo sem ajuda para que no final possam ter o prémio de ver 10 minutos de televisão antes de sair para o colégio.

Sem ponta de remorsos afirmo que cá em casa uso por vezes a televisão como prémio, mas também como castigo. E a verdade é que para nós, resulta! E por aí? Qual é a relação dos vossos filhos com a televisão?

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