#20 Crónica | Explosões emocionais dos Pais – Dicas Parte II


Na semana passada começámos a abordar o tema das nossas explosões emocionais [Ler aqui]. O cansaço e a pressão do dia a dia são grandes inimigos da sanidade mental dos pais, e há que conseguir encontrar estratégias para gerir da melhor forma tudo o que temos que encaixar dentro de um só dia. Não será certamente de uma semana para a outra que vamos conseguir ver resultados com base nas nossas notas e que teremos material para trabalhar, mas já nos dá uma boa noção do ponto em que nos encontramos no que respeita às nossas próprias explosões emocionais. Agora há que continuar! Vamos saber como?

Depois de observar, auto-diagnosticar 

Na última crónica começámos a falar das explosões emocionais que os pais, por vezes, não conseguem evitar, e que se forem uma repetição tornam-se mesmo um problema. Começámos a apresentar algumas dicas para ultrapassar esta dificuldade, nomeadamente a auto-observação e o registo. Este é um princípio essencial na psicologia: para resolver um suposto problema, tenho que primeiro avaliar esse problema, ou seja, tenho que de alguma forma mensurá-lo, medi-lo. Estamos agora preparados para o próximo passo: o auto-diagnóstico.

Ao observar-me e ao avaliar-me consigo chegar a hipóteses explicativas e perceber padrões ou repetições. Consigo, assim, chegar a uma hipótese de diagnóstico. Não interessa se o diagnóstico é o usado por experts na matéria, porque no que diz respeito a nós próprios, nós somos o maior especialista.

Mas como é que eu chego a padrões?

Vamos lá recordar, então, o exercício final da crónica anterior: o ABC (ou a análise funcional comportamental).

O ABC era o antes (antecedentes), o comportamento (behavior) e o depois (consequente), ou seja, é o antes – comportamento – depois.

Se observarmos não só o comportamento alvo, mas o que ocorre imediatamente antes e o que acontece logo de seguida, podemos identificar padrões.

Neste caso o comportamento alvo são as explosões emocionais dos pais, que podemos definir como quando os pais gritam com os filhos. Se observarmos o comportamento ao longo duma semana, por exemplo, conseguimos ver quando é que ele mais ocorre, que contextos o despoletam mais, que ocorrência anterior o impulsiona, que reacção vem a seguir, etc.

Esses pop-ups estatísticos, essas repetições que saltam à vista, são o que nos permitem fazer o diagnóstico. Para finalizar, vou recordar a dica 1 da crónica anterior: culpa. Nada de culpas. Em excesso não serve para nada. 

Aliás, na próxima crónica, irei falar de alguns dos padrões de interação negativos mais comuns nas repetidas explosões emocionais parentais.

Para já o desafio é: depois de observar, auto-diagnosticar.

Abraço,

Hugo Santos, Psicólogo

Escola para Pais
Psicologo.pt

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