#19 Crónica | Explosões emocionais dos Pais – Dicas Parte I


Percebi há bastante tempo que quando estou cansada ou preocupada com alguma coisa tenho muito menos paciência para os meus filhos. Há mesmo dias em que só queria que estivessem assim, sossegados a brincar e sem precisar de mim! Mas a maternidade não é assim!

E a falta de paciência é culpa e responsabilidade minha, e sinto-me na obrigação de fazer todos os dias o meu melhor para o gerir de forma a que os prejudicados nunca sejam eles! E nos dias em que não é assim tão simples? Hoje o nosso psicólogo traz-nos dicas para nos ajudar a lidar com os momentos em que os filhos nos tiram do sério.

Educar um filho é um bom teste à capacidade de cada um gerir as suas emoções.

Infelizmente, devido ao cansaço e à sobrecarga de tarefas do quotidiano, muitas vezes quase que perdemos a cabeça com os filhos ou chegamos mesmo a ter que gritar. Isso ocorre naturalmente e não causa problemas alguns no crescimento e bem-estar da criança. Contudo, quando isso acontece e se repete, e novamente se repete, e os gritos passam a fazer parte do quotidiano relacional entre os pais e os filhos, é porque algo pode não estar bem.

Nessas alturas, é tempo de parar para pensar “porque é que isto está a acontecer?”. Para ajudar neste exercício deixo aqui 3 Dicas:

1. Culpa: a emoção que provavelmente irá surgir quando fizer este exercício de parar e olhar para dentro será a culpa. 

A culpa é natural e numa certa dosagem tem como objectivo a auto-avaliação e auto-correcção. Em excesso não serve para nada a não ser criar maior frustração e aumentar a probabilidade de as explosões emocionais se repetirem. 

2. Observar: para compreender melhor o que está a acontecer, sem se ficar por explicações mais generalistas como cansaço e excesso de trabalho (mesmo estas sendo verdadeiras), é importante observar-se.

Observe o seu padrão de respostas explosivas, ou seja, quando é que costuma gritar, como, em que sequência, em que local.

3. Registar: experimente criar um diário ou outra forma de registo (pode ser até no telemóvel), e monitorize o seu comportamento ao longo de uma ou duas semanas.

A análise comportamental vai ajudá-la a olhar para o que acontece para mudar aquilo que quer melhorar em si.

4. Observação mais complexa: se quiser observar-se de forma mais complexa, aplicando a análise funcional (um modelo da psicologia comportamental), aqui fica as ideias-chave para o fazer.

A análise funcional envolve observar o comportamento (Behavior), o que acontece antes ou os antecedentes (A) e o que acontece depois ou os consequentes (C). Assim, é comumente designado como modelo ABC.

Grelha de Observação - Modelo ABC

Data | Hora | Local
Antecedentes
Behavior
Consequentes








E claro, se tiver dúvidas basta dizer. 

Abraço,

Hugo Santos, Psicólogo

www.hugosantos.pt
Escola para Pais
Psicologo.pt

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