# Gravidez Gemelar | O custo - benefício da amamentação

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Escrevi este texto a 2 semanas dos meus filhos fazerem 16 meses. Nunca foi publicado aqui, e hoje ao relê-lo achei que era importante partilhar a minha opinião sobre a amamentação. Amamentei até o Daniel e a Carolina terem 2 anos e meio e gostei muito da experiência. Se foi sempre bom e agradável? Não! Não foi! Mas para mim, valeu a pena! Amamentar foi uma viagem e tanto, que fiz muita questão de levar até ao fim, e que terminou da melhor forma. Com desmame natural.


A 2 semanas dos meus filhos fazerem 16 meses volto a enfrentar problemas chatos com a amamentação. Desta vez, surgiu-me um desconforto na mama direita, um ardor quando estou a dar mama e uma sensação de picada no mamilo (forte!) uns 10 minutos depois de amamentar, e que se prolonga indefinidamente. Nos primeiros dias não liguei nenhuma! Mas a coisa foi andando, e quando comecei a dormir mal com o incómodo, achei que devia dar ouvidos ao marido, e falar com alguém que me fizesse um diagnóstico mais objectivo. Assim, recorri ao pediatra das crianças.

O diagnóstico foi tão-somente maceração da pele por excesso de solicitação, ou por solicitação mais “agressiva”. Pode ser porque a sucção já é muito forte e a pele se ressentiu, pode ser porque os dentes fazem das suas, e mesmo sem dentadas, acabam por provocar um atrito mais forte e originar estas mazelas, ou pode ser porque calhou. O motivo nesta fase é irrelevante, e o que me importa aqui é a cura. A primeira sugestão do pediatra foi:

                “- E que tal deixares de dar mama? Eles já têm idade para isso…”

E eu, como sempre até agora, rejeitei imediatamente a sugestão! Por isso, pelo menos por agora, recorri ao Bepanthene Plus, e a mais uma boa dose de paciência e teimosia.

Não sou fundamentalista da amamentação! Amamentar deve ser um acto de amor, e se a dor superar o amor, serei a primeira a desistir. Não critico quem não amamentou, e não gosto que me critiquem por ainda amamentar. Gosto mesmo de amamentar os meus filhos! Gosto dos nossos momentos a dois, que são únicos, porque todos os outros são a três ou a quatro. Gosto do mimo e do aconchego que estes momentos proporcionam. Da cara de felicidade deles quando lhes pergunto “se querem maminha”. De ver o Daniel a responder à minha pergunta batendo palmas e tirando a chucha, de ver a Carolina cuspindo (literalmente) a chucha para o lado e dizendo que sim com a cabeça. Gosto de amamentar!

Ora, se eu gosto, se eles gostam, se tenho tanto leite que chego a ter o soutien molhado a meio do dia (talvez deva equacionar regressar aos discos de amamentação)… porque é que hei-de deixar?

Aqui há uns 3 ou 4 meses atrás, uma amiga minha foi mãe. Ao 3 .º dia de vida da filha, já em casa, queixava-se de ter o peito gretado e estar aflita com a amamentação. Não a vi, mas falei com o marido, e pelo que me explicou, pareceu-me que a bebé estará a fazer uma pega incorrecta. É muito comum, que os bebés recém nascidos tenham dificuldade em fazer uma pega correcta. Quando ainda estão no hospital, há sempre uma enfermeira a quem pedir ajuda, e a coisa acaba por se ir resolvendo, mas quando se chega a casa, estamos por nossa conta e risco, e o caso pode mudar de figura. Uma pega incorrecta é mau para o bebé e é mau para a mãe. O bebé não consegue ter uma mamada produtiva, pois não estará a fazer sucção em toda a área que devia, e não esvazia os ductos todos do peito. Resultado? Pode ficar com fome, cansa-se muito mais porque para obter a quantidade de leite que precisa tem que se esforçar mais, e fica rabugento. A mãe, enerva-se porque o bebé não esta bem, fica com peito gretado, e corre o risco de fazer mastites por ter leite acumulado em ductos não esvaziados. Isto, claro, de uma forma muito genérica!

Há muito mais que se diga sobre a amamentação e as dificuldades que dela podem advir. Quem me segue há algum tempo, talvez se recorde que passei um mau bocado no que toca a amamentar. Primeiro, os meus filhos precisaram de terapia para aprender a mamar (nasceram com 33 semanas, e nessa fase ainda não se adquiriram os reflexos de sucção e deglutição, pelo que não se sabe mamar... Foram alimentados a sonda nas primeiras 2 semanas de vida, e em simultâneo estimulados a aprender a mamar). Depois disto, e já em casa, foi a dificuldade em estabelecer a quantidade de leite. A produção era quase sempre superior à procura, houve peito encaroçado, houve mastites. Depois quando o peito doía tanto, e sangrava de tal forma, que bolçavam sangue (e me pregavam sustos terríveis com isso), atingi o auge do peito gretado. Não havia purelan ou qualquer outro creme que melhorasse ou tão pouco aliviasse. Era uma dor permanente! Era um pânico incontrolável quando a hora de amamentar se aproximava. E ainda por cima a dobrar... Controlava-me, dava mama ao primeiro, e quando estava prestes a perder o controlo e a rebentar em lágrimas, ele parava. Respirava fundo, trocava de bebé, e repetia a dose com o segundo. Foi uma fase complicada, foi uma fase dolorosa, e quase desesperante.


Ainda assim, não desisti! A OMS recomenda o aleitamento materno exclusivo até aos 6 meses, e a manutenção do aleitamento até aos 2 anos. Os meus filhos, sendo prematuros, tinham o sistema imunitário mais débil, e as vantagens do aleitamento materno eram mais que muitas. Pesquisei muito, pedi conselhos, li e reli, troquei experiências... Um dia, cheguei ao manual de aleitamento materno da UNICEF (http://www.unicef.pt/docs/manual_aleitamento.pdf). Li-o todo de ponta a ponta várias vezes (ainda tenho o pdf no iphone!). Estudei as imagens de correcção de pega, observei atentamente os meus filhos a mamar, e concluí! Precisava de corrigir a pega! Eles não estavam a mamar bem! Muni-me de uma grande dose de calma e paciência, e comecei a tentar aplicar os conhecimentos adquiridos em tanta leitura e pesquisa. Na primeira vez correu muito bem, na segunda assim-assim, na terceira já não me lembro, mas sei que consegui! 

Fui teimosa (como sempre), fui persistente, fui atenta... Tentei ensinar aos meus filhos uma das coisas mais básicas de que precisavam em tão tenra idade, e eles aprenderam! O peito cicatrizou, as dores e o sangue desapareceram, a amamentação deixou de ser um momento de sofrimento e passou a ser um momento de carinho e partilha. Comecei verdadeiramente a sentir o quão maravilhoso é amamentar.

Algum tempo depois, já convencida de que tudo estava mais do que ultrapassado, resolvi começar a extrair com bomba o excesso de leite, e congelar. “ Pode sempre fazer falta, pelo que apesar de ser chato e dar trabalho, é o melhor a fazer! – pensava eu!” Uns dias depois, apareceu-me no peito uma borbulhagem avermelhada que me dava comichão. Comecei a pôr purelan novamente, e deixei andar. Os dias foram passando e nada de melhorar! Quando finalmente decidi ir ao médico, eis que descubro que a candida albicans, se tinha instalado no peito! (Nem sabia que era possível!). Excesso de procura - foi a explicação médica para o facto. Na prática, o meu peito não descansava! Entre duas bocas e uma bomba, estava constantemente a ser solicitado. Novo tratamento iniciado, nova fase de recuperação, e nova fase de estabilização. Pensava eu, que tinha sido a última vez que tinha problemas com a amamentação!

Passados todos estes meses, continuo a dar mama aos dois! Estão a 15 dias de fazer 16 meses, e mamam 2 vezes ao dia: pequeno-almoço e lanche, e esporadicamente a meio da noite, nas noites más. Se podiam já não mamar? Podiam, claro! Mas se lhes faz bem, se lhes sabe bem, se eu tenho leite de sobra, e se posso dar, porque haveria de deixar de o fazer? A mim faz-me sentido manter a amamentação! Não sei dizer até quando será assim, mas enquanto for, vou continuar a amamentar os meus filhos! Quem já esteve ao pé de nós enquanto eles mamam, nem precisa que explique mais nada, pois já viu a satisfação deles quando mamam. Para quem não esteve, critiquem à vontade se acharem disparatado, apoiem se concordarem, porque eu tenho as minhas decisões tomadas e pensadas, e não será fácil muda-las.

Amamentar até quando? Cada caso é um caso! Cada mulher é uma mulher, cada bebé é um bebé! Depende de vários factores, depende da predisposição, depende da decisão pessoal de cada um! Acima de tudo da decisão pessoal de cada um, que deve sempre ser respeitada. Eu, pessoalmente, olho para trás e fico feliz por ter sido persistente. Fico feliz por ter estabelecido a relação que tenho hoje com os meus filhos. Naqueles minutos em que todo o mundo desaparece e somos só nós! Uma partilha única, um vinculo único, que só pode existir entre mãe e filho, e que para mim... É das melhores coisas do mundo!

1 comentário:

Paula & João disse...

Tão verdade! Identifico-me perfeitamente com o seu post.
Sou mãe de 3 filhos. O primeiro mamou até aos 16 meses.
Os gémeos estão com 15 meses e mamam sempre que querem.
É tão bom! Não me arrependo de nada! É o nosso momento e ... também não sou fundamentalista!