#15 Crónica | Mães Exaustas


Nesta altura do ano quem é que não está a sentir-se de rastos e a precisar desesperadamente de férias? Eu estou! Não há um dia que passem em que não sonhe com dias sem horários, sem correrias, sem birras para acordar e deitar. Com dias passados com calma, tranquilos e felizes, em família. Até lá, faço o meu melhor para aproveitar os fins de semana, e tento não desesperar. Hoje falamos de mães exaustas!

Mães exaustas... Capítulo I

Esta semana vamos falar sobre o cansaço acumulado dos pais, mais em especial das mães. Estamos a falar daquele cansaço de quem já se arrasta mais do que anda, que já nem sente dores no corpo porque já deixou de o sentir, que já nem consegue pensar muito bem, que qualquer barulho já é demais e que qualquer contrariedade já parece o fim do mundo. Estamos a falar de Mães exaustas...

O tema mães exaustas vai ter vários capítulos porque o tema é extenso e delicado. E não nos vamos cansar com textos muito longos.

Assim, comecemos pela Dica 1: 

Vira o Disco

Esta dica tem a ver com uma das situações muito frequentes e que muito contribui para o cansaço maternal. Sem dar por isso, as mães repetem e repetem e repetem certas situações, num looping contínuo.

Vejamos um exemplo disso:
Estes automatismos chamados “vira o disco e toca o mesmo” acabam por ser perdas de energia desnecessárias porque na prática não funcionam ou só funcionam ao fim de “dez” vezes.

Uma tarefa que seria resolúvel com um output ou no máximo dois (dizer uma ou no máximo duas vezes “o jantar está pronto”), acaba por se repetir como que num ritual ou numa lenga-lenga.

Neste exemplo das dez vezes, a criança já não ouve as nove vezes anteriores. Só ouve a décima e as indicações anteriores da mãe serviram apenas como tique-taque. Ok, não vai ser fácil mudar este padrão de interacção. Mas é possível.

E na verdade mais do que pensar em mudar o comportamento, o importante é começar a reparar nele. Ter consciência do número de vezes que se entra em piloto automático e se desperdiça energia.

Metaforicamente é como conduzir sem dar bem por isso, como quando fazemos trajectos que estamos habituados a fazer. Mas neste caso enganamo-nos várias vezes no caminho ou demos dez voltas à mesma rotunda.

Por isso a dica de hoje é: mude de disco e oiça uma música daquelas bem boa onda. E respire 

Bem, agora tenho que ir tratar do jantar.

Abraço,

Hugo Santos, Psicólogo

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