Crónica #10 | Como posso ajudar o meu filho a lidar com o medo?


Na sequência da crónica da semana passada, em que abordámos o delicado tema da morte [podem ler aqui], hoje falamos de medo, porque afinal, é esse o sentimento que a morte nos transmite. O medo na infância pode assumir uma dimensão tal que interfere com a vida dos nossos filhos. Há medos que passam com um abraço apertado, e há outros que exigem mais trabalho. Para o desmistificar, há estratégias que todos podemos facilmente adoptar! Vamos a elas?


Como posso ajudar o meu filho a lidar com o medo?

Na nossa crónica da semana passada começámos a abordar este tema, que pela sua importância mereceu novamente a nossa atenção. Na altura falámos apenas de estratégias. Falta hoje enquadrar a temática e reforçar as linhas de acção. 

Comecemos por enquadrar, pois antes de agir é importante compreender, que é como quem diz: O que é o medo e para que serve o medo? 

O medo é uma emoção primária e surge como reacção a situações avaliadas como perigo ou ameaça. Este estímulo que desencadeia o medo não tem de ser real. Pode ser apenas interno, como um pesadelo.

O medo é também um estado emocional que se caracteriza por diversas respostas físicas e mentais, que são mais intensas quanto maior for a intensidade do medo.

Para além disso, o medo pode ainda ser uma emoção secundária, ou seja, podemos sentir medo do medo. O medo quando sentido e não devidamente processado, pode originar por si medo. Assim, podemos chegar a ter uma reacção de medo já sem o tal estímulo de perigo ou ameaça sentidos.

Por fim, o medo contagia-se. Se eu vir alguém com medo, fico com medo. E se eu estiver com medo e alguém ao meu lado também ficar com medo, o meu medo tende a subir. 

Assim, depois desta didáctica, surge a questão: como é que uma criança pode lidar com o medo? Deixo-vos agora 7 Estratégias para vencer o medo:


1. O ABC do medo

O medo também se compreende. Tal como um adulto tem mais medo do desconhecido, uma criança também o tem. E se não perceber o que está a sentir, acaba por sentir medo do medo (o tal medo secundário). Por isso explique ao seu filho o que é o medo. Já existem no mercado livros infantis que o ajudam a explicar. Mas se preferir, crie você formas de o fazer.


2. Não há problema em ter medo

Normalize o que o seu filho sente. Diga-lhe que é normalíssimo ter medo. Que todas as pessoas têm medo. Que também a mãe ou o pai têm medo. O medo é normal e não há problema nenhum em tê-lo.


3. O medo é dos fortes

Depois de normalizar, retire a carga negativa que pode haver associada ao medo. O medo não é dos fracos. O medo é dos fortes porque só os fortes enfrentam o medo e têm a coragem de o sentir. Não tenha medo de dizer isto ao seu filho ou filha.


4. Vamos vencer o medo

Faça equipa com o seu filho e vençam o medo. Também a mãe e o pai têm que vencer o seu medo. Defina objectivos conjuntos e alianças estratégicas. Afirme que em conjunto vão vencer o medo.


5. Diminuir a emoção medo diminuindo a sensação perigo

O objectivo da intervenção é reduzir a emoção medo. Se a emoção medo surge duma sensação de perigo real ou interna, primária ou secundária, então diminuir a sensação de ameaça levará à diminuição do medo.

Uma das formas de diminuir o perigo é circunscreve-lo ou afastá-lo. O perigo por vezes tende a criar uma sensação generalizada. A objectividade da sua avaliação e mensuração permite coloca-lo dentro duma caixa.


6. Diminuir a emoção medo aumentando a sensação segurança

Através desta estratégia estaremos a diminuir o medo aumentando uma sensação incompatível e oposta: a de segurança. Se eu me sentir mais seguro sinto menos medo.

A segurança é igualmente uma sensação subjectiva por isso os rituais e simbolismos descritos na semana passada (como a “lanterna da coragem”) ajudarão nesse sentido.


7. Diminuir a emoção medo diminuindo os sintomas físicos do medo

Esta estratégia tem muito que se lhe diga. Basicamente é intervir de fora para dentro, onde a alteração física provoca uma alteração mental.

Aqui estratégias de relaxamento e meditação para crianças poderão ajudar e muito. Mas sobre isso iremos numa próxima crónica ensinar a “Meditação das Fadas”, uma técnica criada por mim.


E pronto. Espero ter ajudado!

Já sabem, qualquer dúvida basta escrever-nos. Estes temas têm tanto para dizer que fica sempre muito para partilhar ou aprofundar.

Um abraço de coragem,

Hugo Santos
Psicólogo

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