Crónica #4 | Será que os meus filhos, de sexos diferentes, devem dormir no mesmo quarto?


Começamos o 2017 com um tema sensível, sobre o qual as opiniões diferem e que no meu caso concreto tenho bem decidido. Será que os meus filhos, de sexos diferentes, devem dormir no mesmo quarto? Vamos saber a opinião do Hugo já de seguida! Mas antes, temos um desafio para vos lançar! 

Queremos ter o vosso feedback sobre os temas abordados, queremos que partilhem connosco sugestões de temas que vos interesse ver aqui discutidos. Escrevam nos comentários do post, enviem email, mensagem na página de facebook... o que quiserem! Mas deixem-nos as vossas sugestões de temas, as vossas dúvidas, as vossas perguntas! Contamos convosco!

Será que os meus filhos, de sexos diferentes, devem dormir no mesmo quarto? 

Antes de responder à pergunta de hoje, faço uma pequena introdução. A forma como gosto de fazer psicologia é a mesma como gosto de cozinhar. As receitas servem apenas para nos guiar. Prefiro dar sempre o meu toque pessoal.

Assim, as minhas respostas enquanto psicólogo serão sempre mais na lógica de “aqui estão os ingredientes e agora experimentem e vejam como preferem” do que “siga esta receita”. 

Por isso, deixo em forma de ingredientes diversos critérios de resposta e análise face à questão de hoje.

1. Critério Organizativo

A partilha ou não do mesmo quarto entre dois irmãos deve seguir, em primeiro lugar, o critério organizativo. Se apenas houver um quarto para os irmãos, problema resolvido porque a realidade se impõe. Caso haja dois quartos, tanto pode haver um quarto para cada um, como igualmente haver um quarto para dormir e outro para brincar ou estudar. O critério é organizativo e neste último caso apenas tem a ver com preferências da parte dos pais em termos de modelo educativo.

2. Critério Privacidade vs. Partilha

No crescimento e na vida precisamos destes dois ingredientes: por um lado de ter privacidade, de ter o espaço pessoal, a esfera do individual; mas por outro, precisamos igualmente de partilhar, de interagir com o outro, de saber receber e dar, de socializar nos diversos contextos. Assim, não há problema se tiver um padrão familiar mais de privacidade e escolha quartos separados, ou se, pelo contrário, se sinta mais confortável no padrão partilha e opte pelo mesmo quarto para ambos os irmãos. Avalie apenas se consegue equilíbrios, ou seja, se para além do padrão apreendido e que transmite dominantemente, consegue promover o outro lado da privacidade ou partilha.

3. Critério Sexualidade

A sexualidade infantil é uma das razões principais que nos leva a colocar a pergunta da crónica de hoje. Estamos assim a perguntar-nos: como é que educo correctamente os meus filhos no tema da sexualidade? Deixo-os dormirem no mesmo quarto ou não? A resposta aqui é simples: eduque-os na sexualidade com dois ingredientes extra, a informação e o respeito. Assim, o relevante não é se dormem no mesmo quarto ou não. 

O importante é por um lado a informação na educação, ou seja, as crianças crescerem a aprender o que é isto da sexualidade, da intimidade física, das fronteiras do corpo e do toque, da curiosidade, das diferenças de género, etc. Por outro lado, o relevante é as crianças aprenderem a serem respeitados e a respeitar, e por isso a serem ouvidos e a terem uns pais que se ouvem a si próprios neste tema.

Recordo, nesta parte do respeito, que a opinião dos adultos tem mais peso (porque são adultos) e que para estarem juntos, a partir duma certa idade, têm que ambos querer, enquanto que para estarem separados basta um invocar este desejo, sem culpas nem pressões para ambas as partes.

4. Critério Maturidade

Por fim, temos a maturidade dos filhos no direito à resposta e ao respeito, como critério de análise. Podemos usar a lei como bitola. Legalmente um menor é ouvido judicialmente (preferencialmente ouvido por um psicólogo, apesar de hoje em dia os magistrados já estarem a aprender como ouvir uma criança) a partir dos 12 anos ou antes, quando mostrar a capacidade maturacional para tal. Ou seja, uma criança tem sempre o direito de ser ouvida, desde que nasceu, mas não deve ter o peso nos ombros da decisão pois isso cabe aos seus cuidadores, sejam pais ou outros.

Só com o tempo e a maturidade, a criança é capaz de suportar as escolhas e por isso os seus direitos vão aumentando, à medida que também aumenta a autonomia e diminui a protecção. 

E pronto, critérios centrais apresentados. Deixo-lhe assim diversos ingredientes que podem ajudar os pais e mães a pensarem nesta questão.

Claro está, que se tiverem dúvidas ou quiserem aprofundar algum ponto basta enviar mail.

Abraço e boas reflexões!

Hugo Santos
Psicólogo – Psicoterapeuta

Na crónica da semana passada o Hugo deixou-nos algumas sugestões de como podemos tornar-nos melhores pais e melhores mães. Se não leram basta clicar aqui! Nunca é tarde para começar!

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