Crónica #2 | “Mamã, quero uma pistola


Hoje é dia de dicas para pais e mães e o tema escolhido foram as brincadeiras mais agressivas com brinquedos bélicos. É frequente, em particular nos rapazes, levar a partir de uma determinada idade tendência para brincadeiras "de lutas", ou a preferência por brinquedos mais ligados a histórias de lutas. Cá por casa, acontece com frequência ver o Daniel a pegar numa espada de brincar e dizer: "vou-te matar!" a meio de uma brincadeira. Como é que nós pais devemos gerir estas brincadeiras? Devemos ralhar e proibir? Aqui ficam as dicas do Hugo para que Natal seja mais tranquilo!


"Quem tem um filho rapaz provavelmente já se questionou quanto aos brinquedos bélicos, com dúvidas do tipo: “O que é que eu devo fazer quando o meu filho me pede espadas ou pistolas para brincar? Não estarei a incentivar comportamentos agressivos se lhe oferecer um brinquedo de guerra?”.

Pois bem, vamos então conversar sobre o tema para desmistificar certas interrogações.

Ao estilo da crónica anterior, comecemos pelas observações. Assim, depois de apresentada a pergunta, vamos agora identificar alguns dados sobre o tema, para se refletir sobre o mesmo. Depois disso, virão as estratégias (as chamadas dicas). 

Observação 1: Emoção zanga

A zanga é uma emoção primária, isto é, uma das emoções principais do ser humano. Se existe, é porque tem uma utilidade adaptativa para nós. Neste caso, a zanga serve para nos protegermos, para nos defendermos.

Observação 2: Comportamento de agressividade

O comportamento de agressividade não é mau nem bom, por si só. Depende do contexto e dos três indicadores de avaliação do comportamento: frequência, intensidade e duração. 

Observação 3: Identidade e auto-conceito

Para além das diferenças biológicas entre os rapazes e as raparigas, existem as representações sociais de papeis e de género, de igualdade e diferenças, que são cruciais para a construção da identidade e do auto-conceito. 

Então, o que poderemos fazer quando o nosso filho rapaz ou também rapariga quer um brinquedo tipo pistola ou espada, ou quando tem brincadeiras mais de teor agressivo?

Dica 1: Não proíba. Negoceie.

Se queremos ensinar o nosso filho a não ser agressivo, temos que o ensinar a regular a emoção primária zanga e a gerir o comportamento de agressividade.

Proibir ou evitar brinquedos bélicos não é uma solução. Pelo contrário, não só não promove um comportamento adequado, como reprime uma necessidade ou nega uma realidade.

Dica 2: Observe as brincadeiras

Para perceber se o comportamento de agressividade será adequado, ou pelo contrário, é exagerado ou talvez passivo demais, pode observar as brincadeiras. Os psicólogos fazem isso, usando o brincar como uma forma de diálogo com a criança.

Repare no faz-de-conta, nos papeis que o seu filho ou filha assumem, e porquê. Como ele gere a brincadeira e interage. Tente observar e compreender.

Dica 3: Ensine-lhe valores humanos

Esta é a principal dica. A guerra existe, não só na realidade atual, no passado histórico, nas representações sociais diversas, mas também nos conflitos internos há batalhas emocionais.

Por isso ensine o seu filho e filha a lutar e a guerrear, não necessariamente com uma pistola ou espada, mas com as armas mais poderosas: o coração e a mente.

Transmita-lhe os seus valores, ajudando-o a pensar e a sentir sobre as mais diversos dilemas, desigualdades e lutas pela dignidade humana. 

Não tenha receio. Mostre-lhe as suas armas e estratégias de combate pela paz e pelo amor. Ele e ela irão adorar aprender consigo a enfrentar a realidade e a construir um mundo novo, o mundo deles.

Bem-haja.

Feliz Natal, com muito amor!!! "

Hugo Santos
Psicólogo – Psicoterapeuta

Podem a primeira dica do Hugo sobre como gerir as expectativas dos nossos filhos em relação aos presentes de Natal, aqui.

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