O maior desafio da maternidade!


No sábado passado, não sei bem como, fechámos um ciclo. Ou pelo menos assim o espero. Todas as idades têm as suas dificuldades, e há fases em que os miúdos andam mais calmos e outras em que andam mais ansiosos, e isso se reflecte no comportamento que têm


A verdade é que as duas últimas semanas foram avassaladoras para nós. Regressámos de férias, e ficámos ainda uma semana de férias em casa. Nesses dias, houve meia dúzia de birras, mas entretanto eles foram passar 3 dias com os avós paternos, e portaram-se bem. Regressaram a casa no último fim de semana de férias, fizemos praia, passeámos e tudo correu dentro dos parâmetros da normalidade. 

Na segunda feira seguinte, começaram a escola. Mudaram de sala, têm alguns meninos do ano passado na sala deste ano mas muitos entraram para a escola primária, e têm uma equipa educativa diferente. Não houve nunca qualquer indício de que estivessem pouco confortáveis com esta mudança, não houve nunca sinais de que não se sentissem bem na nova sala, nem comportamentos que o explicassem, mas a verdade, é que, pensamos nós, este regresso à rotina, os afectou.

Na Carolina, reflectiu-se de forma mais ligeira, com algumas birras, mais teimosia do que o habitual, e algumas manhãs em que não lhe apetece ir para a escola [quem não tem manhãs em que não apetece sair da cama!?]. 

No Daniel, a coisa foi mais dramática. Começou exactamente no primeiro dia de trabalho / escola. Ao final do dia, fomos à Kidzania, a este evento, e à saída, por uma coisa simples que já nem me recordo, o Daniel atirou-se para o chão a berrar, com um timbre incrivelmente alto, que se fazia ouvir de certeza a quilómetros de distância, e perante todos os nossos esforços para o acalmar e para que se calasse, tudo o que conseguíamos era que gritasse mais e mais alto. Gritava, era mal educado connosco e em algumas situações ainda levantava a mão. Foi assim até ao carro e durante parte do percurso de regresso a casa, até que se calou, achamos nós que por cansaço. Já em casa, repetiu a dose, para tomar banho, para jantar, para vestir, para despir, para lavar os dentes, para jantar... enfim. Todos os motivos serviam para gerar nova birra, algumas das vezes quando a anterior ainda nem tinha ficado bem terminada.

Nos dias seguintes, repetiu-se o padrão. Desde que acordava até deixarmos na escola, birras atrás de birras. Ao final do dia íamos buscá-los, e voltávamos ao mesmo até à hora de deitar. 

O desgaste para nós estava a tornar-se incontrolável, e  para ele provavelmente também, porque entrava numa espiral de birra de tal ordem, que se descontrolava e dificilmente consegui acalmar. Quando demos por nós, estávamos perante um efeito bola de neve, em que ele se portava mal, nós enervávamos nas vãs tentativas de o controlar, e ele respondia acentuando ainda mais o comportamento. Alguém tinha que parar, e entre ele e nós, tínhamos que ser nós! Tínhamos que encontrar forma de gerir este drama e de o acalmar.

Na sexta feira da semana passada, ao final do dia, fomos a Lisboa, para ambos termos consultas para acertar a graduação. Enquanto estivemos no oculista, não que se tenham portado mal ao ponto de haver birras das que descrevi acima, mas ainda deram um ar de sua graça. Depois disto, fomos jantar a casa da Susana, e aí é que ele decidiu começar a brilhar. De tal forma, que numa investida de teimosia, enrolou os pés e caiu, batendo com a cabeça em cheio na esquina da mesa de centro da sala. Foi uma pancada feia e que resultou apenas num hematoma gigante e feio, mas que felizmente não passou disso.

Face a estas duas semanas, e sendo que na manhã seguinte acordou em igual registo, optámos por passar o dia em casa. Só nós, sem interacção de mais ninguém, no nosso espaço de forma tranquila. O dia não foi fácil, as birras foram mais que muitas, e a nossa capacidade de as tentar gerir sem perder a paciência a partir de determinada altura começou a escassear, pelo que para termos um momento de pausa para recarregar baterias, deitámo-los a dormir a sesta. 

Já não dormem a sesta desde Maio, mas de vez em quando lá cedem ao cansaço e adormecem. No sábado não foi o caso. Estiveram deitados cerca de 1 hora a asneirar! Gritavam, desarrumavam o quarto, fugiam do quarto, enfim... até que o pai subiu e lhes disse que ia ficar deitado entre as duas camas até que adormecessem. Não demorou 5 minutos.

Durante as cerca de 2 horas e meia em que dormiram [o que veio comprovar que realmente estavam cansados], aproveitámos para tentar descansar a cabeça, e também para voltar a falar sobre o assunto e sobre que estratégias deveríamos adoptar para controlar esta onda de mau comportamento no nosso filho de 4 anos. 

Já eram cerca de 19h30 quando acordaram. e como que por milagre, desde esse momento, o Daniel mudou a página, e voltou a ser o doce e querido menino de sempre. As birras desapareceram e até ao momento ainda não regressaram. Se me perguntarem como conseguimos e o que fizémos, muito sinceramente, não vos sei dizer. Mas acredito que uma das coisas que contribuiu para isso foi a capacidade de não gritar, que nem sempre temos, e em vez disso, de o agarrarmos e abraçarmos. Tive muitas situações em que o abracei e ele ainda se debateu nos meus braços para se soltar a continuar a birra, mas face à minha insistência, acabou por se render, e terminar a birra lavado em lágrimas encostado a mim. 

Por isso, hoje partilho convosco este texto que li há tempos e que nunca mais me esqueci, e que acredito que funcione, sendo que o factor variável é apenas a nossa capacidade de manter a calma e de os abraçar, mesmo quando nos tiram do sério! 

"Estou completamente farta de explosões emocionais, estou farta que me desafie, e do “não me podes obrigar”, e de portas a bater.

Há alturas que só me apetece arrastá-lo pela t-shirt e obriga-lo a apanhar os sapatos do chão e acabar com estas atitudes de vez.

A última coisa que me apetece fazer é abraça-lo, mas faço-o na mesma.

Abro a porta (depois de me bater com ela na cara) e pergunto-lhe: ”Queres um abraço?”

Inicialmente ele resistia mas hoje em dia não. Hoje em dia derrete-se nos meu braços e chora como um bebé oprimido e inseguro."

Para lerem o texto completo cliquem aqui.

É este o maior desafio da maternidade. Educar, perceber, gerir de forma a que cresçam íntegros, com valores e com uma personalidade de que nos orgulhemos! Ninguém disse que ia ser fácil, e não é! 

5 comentários:

Ana Marques disse...

Acho que a maternidade é mesmo um desafio. Quando acaba um e achamos que temos tudo controlado, aparece um novo desafio, uma nova etapa!!! Tirando infelicidades, todas as mulheres conseguem ser mães, mas a maternidade nao é para todas as mulheres. (E homens claro)

Mafalda Antunes disse...

Ainda hoje a Clarinha fez uma dessas...o importante é mesmo manter a calma..
Beijo enorme ❤️

Sara Branco disse...

Isso mesmo Ana! O importante é haver saúde! O resto resolve-se :) beijinho

Sara Branco disse...

Verdade! Há dias em que não é nada fácil mas lá está, é um desafio :) Beijo querida Mafalda!❤️

SL disse...

obrigado pela partilha, este texto chegou em boa altura, agora é conseguir pôr em prática...