O que me acalma a alma? O que me tranquiliza?


Chegar a casa bastante mais tarde do que é hábito, depois de um longo dia de trabalho, ainda com umas boas horas de trabalho pela frente, cansada, com 1001 coisas na cabeça, e apenas a desejar abraçar os meus filhos. [Tantas vezes me perguntam como consigo conciliar tudo? Hoje não consegui!]

Entrar em casa, largar os sacos e malas logo no chão da entrada, e correr para os abraçar. No sofá, a Carolina acabava de jantar, com a ajuda do avô. Ao lado, o Daniel... dormia perdidamente. Mais uma vez, adormeceu sem jantar, logo depois de tomar banho. Sentei-me no chão ao lado dele, dei-lhe beijos, fiz-lhe festas, encostei a minha cara à dele. Só queria sentir o cheiro dos meus filhos, encostar-me a eles, e tentar desligar a cabeça, mesmo que apenas por uma ou duas horas.

A Carolina pediu para ser eu a acabar de lhe dar o jantar, por isso, não fiz mais do que descalçar-me, despir o casaco, e sentar-me ao lado dela. Dei-lhe o jantar e só depois fui recolher os sacos e malas abandonados no chão da entrada, arrumar tudo, e subi para mudar de roupa. 

Depois de ter tudo arrumado, preparei roupas para amanhã, arrumei roupas lavadas que estavam por arrumar, abri as camas deles e fechei os cortinados e acendi as luzes de presença. Desci, peguei no Daniel ao colo, e levei-o para a cama. Tapei-o, dei-lhe um beijinho, e fiquei ali, encostada a ele, a senti-lo, a cheirá-lo, numa postura quase animal, a tratar e aconchegar a minha cria.

É impressionante como desde que deixaram de dormir a sesta neste dia, em que os separei pela primeira vez, e a Carolina me pediu para não dormir, porque não queria dormir na sala dos bebés sozinha [na sala deles já não se dorme a sesta, e actualmente, apenas eles os dois dormiam, mudando de sala na hora de dormir, para juntos dos meninos da  sala dos 2 anos], caem para o lado a uma hora em que normalmente ainda tinham energia para dar e vender!

Nestes dias, quando estou com eles desde que saem da escola, apesar de ficar a sentir que não tive verdadeiramente tempo para os meus filhos, acabo por ficar tranquila quando se deitam e adormecem. Hoje, fiquei destroçada. 

Mais tarde, quando ia deitar a Carolina, que já estava perdida de sono e fez uma birra no meu quarto enquanto a preparava para dormir, senti uns bracinhos pequeninos a envolver as minhas pernas, e deparei-me com o Daniel! Tinha acordado com o barulho que a irmã fez, saiu da cama, e veio abraçar-se a mim! Peguei-lhe imediatamente ao colo e abracei-o com força! Que saudades de senti «r os braços dele à volta do meu pescoço! Senti o calor dele a passar para mim, e o conforto de o ter no meu colo, completamente aninhado. 

Deixei-os ver um desenho animado pequenino na minha cama, e depois, foram os dois para a cama. Deitaram-se, tapadinhos e aconchegados, enchi-os de beijos, falei-lhes ao ouvido como faço todos os dias e saí. Adormeceram instantaneamente, e eu, vim-me sentar a trabalhar.

O que me acalma em dias assim? Tê-los por perto. Abraçá-los. Enchê-los de beijos. Cheirá-los. Lamber-lhes as feridas. Sentir-me uma mãe galinha que não quer os filhos fora da sua asa nunca! Porque afinal, é isso que eu sou!



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