Sobre amizade...

Hoje em dia utiliza-se a palavra amizade sem pensar realmente no que ela significa. Todos são amigos, todos são parte da nossa vida, todos estão lá quando precisamos. Todos têm um lugar especial, todos são “manos”, “sócios”, “irmãos de armas”! A amizade foi banalizada, tal com o amor, também a amizade corre o risco de perder a sua essência se fizermos dela uma coisa qualquer.


As redes sociais vieram fazer com que todos saibam muito mais sobre a vida uns dos outros do que sabiam antes. Trouxeram-nos “para dentro de casa” os amigos, virtuais, que nos mostram o que comeram ao pequeno-almoço, a que horas chegaram ao trabalho, onde foram almoçar, se apanharam uma molha ou se estão de mau humor por causa do mau feitio do chefe. Amigos sobre os quais formamos opinião pelo que vemos, lemos, gostamos ou não gostamos. A rede de amigos cresce a olhos vistos, de dia para dia, e todos têm alguma coisa a dizer sobre quem nós somos, o que fazemos, as coisas de que gostamos. Opiniões são o que não falta! Quem hoje é o melhor amigo, amanhã é o primeiro a apontar o dedo e a criticar o que fazemos. E quem lhe deu legitimidade para o fazer? Nós, que o deixámos entrar na nossa vida!

Se pensarmos um pouco, e nos imaginarmos num momento de aflição, quantos desses amigos estarão lá para nos dar a mão? Provavelmente nenhum! Minto! Estarão alguns! Aqueles que são mais do que um quadradinho de 6x6cm num écran, e que existem na nossa vida, independentemente de haver ou não redes sociais. Porque isso, meus queridos, não se iludam, não é amizade!

A amizade é uma coisa que nasce, que se alimenta de pequenos gestos, de presenças e até de ausências. Uma coisa sólida e genuína, que não é alimentada por interesses, posições sociais ou económicas. A amizade é ter família, em pessoas que não têm o mesmo sangue que nós. Sem merdas, sem falsidades, sem fingimentos. Um amigo, ou uma amiga, são aquelas pessoas que podem chegar ao pé de nós, dar-nos um par de estalos se fizermos asneira, chamar-nos uns nomes, abanar-nos, e continuar por lá para logo de seguida nos limparem as lágrimas. É aquele que nos desculpa se num dia mau descarregarmos o mau feitio numa qualquer conversa que estejamos a ter. É aquele que pura e simplesmente, está lá!


Este Natal, o que desejo, é que olhem à vossa volta, parem, observem, interiorizem e vejam afinal quem é que têm à vossa volta. Não se deixem envolver neste novelo de vida artificial em que cada vez mais vivemos o nosso dia-a-dia. Dêem valor ao que realmente interessa. A quem realmente interessa. Esqueçam os presentes consumistas, esqueçam as 1001 coisas bonitas para a fotografia, e vivam realmente o vosso Natal. Em família, com as pessoas que realmente importam. Dêem o vosso tempo, a vossa dedicação, invistam em abraços, em partilha, em amor. Porque se não acreditam que isto é realmente o mais importante, então precisam mesmo de parar para pensar.

2 comentários:

Vanda Caldeirinha de Carvalho disse...

Nem mais Amiga. Subscrevo-me tudo o que escreveste!
Beijocas Grandes!!

Xica Maria disse...

Cada vez desligo-me mais das redes sociais...