Dos sustos...

Não sou nada alarmista. Nem no que toca aos meus filhos. Podem cair à minha frente, que ajudo-os a levantar e sacudir as mãos e siga! Nunca tive uma situação com eles que verdadeiramente me assustasse, até ontem...


Há cerca de duas semanas atrás, depois de jantar, andavam os dois a brincar no quarto dos brinquedos enquanto nós arrumávamos a cozinha. Ouvimos um estrondo, e depois choro. Fomos a correr, e estavam os dois estatelados no meio do chão a chorar. Tinham caído da parte de cima do beliche. Ainda não dormem lá, mas recentemente começaram a achar piada subir para a cama de cima para brincar. Por mais que lhes expliquemos que têm que ter muito cuidado, claro que, no meio de uma brincadeira, devem ter-se debruçado e vieram os dois parar ao chão. Na altura ficámos um pouco preocupados, atentos as sinais, tentámos que nos explicassem em detalhe o que tinha acontecido, mas pouco mais podíamos fazer. Isto passou e nunca mais nos lembrámos do assunto.

Uns dias depois, a caminho de Cascais numa manhã particularmente difícil em termos de trânsito, o Daniel vomitou. Atribuímos o facto a um enjoo pontual, e como logo de seguida estava bem disposto, esquecemos o assunto.

No fim de semana, o Daniel começou a queixar-se de dores de cabeça. Dizia que doía a cabeça e quando lhe perguntávamos onde era a dor, punha a mão na parte de trás em cima e indicando a zona. Desvalorizámos. Na segunda feira, logo de manhã, voltou a repetir o mesmo. Voltámos a perguntar onde, voltou a dar a mesma resposta com o mesmo detalhe da véspera. Ainda assim, não nos pareceu que fosse nada de grave. Ontem acordou cedo, descemos para tomar o pequeno almoço, e assim que o sentei à mesa, queixou-se novamente. Comecei a achar que já era demais. Voltei a fazer mais perguntas, e as respostas foram sempre iguais e coerentes com as dos dias anteriores. Comecei a achar que já estava a ser situação para manter debaixo de olho. 

Não sendo uma pessoa alarmista, há pouco mais de um ano atrás, apanhei um dos maiores sustos da minha vida com a minha mãe. Na sequência de uma queda, fez um traumatismo craniano que não foi detectado, e duas semanas depois, já com sintomas de afectação de mobilidade, quando a levei ao hospital, ouvi o neurocirurgião dizer-me que ia operá-la de urgência, mas apenas porque ela tinha um discurso coerente e lhe disse que entrou no hospital pelo próprio pé. Pelo TAC, a opinião era de que deveria apenas ir para casa, pois não havia nada a fazer. 

Com a situação do Daniel, e com o que é possível uma criança de 3 anos explicar, fiquei preocupada, e foi impossível não pensar no caso da minha mãe e fazer comparações. Decidi que tinha que me acalmar, e quando os levei à creche expliquei o que se estava a passar e pedi para estarem atentas a sintomas ou queixas por parte dele. Fui trabalhar, um pouco apreensiva, mas sem estar propriamente de nervos em franja. 

Por volta das 10:30 da manhã, telefonam-me da creche. Queriam dizer-me que o Daniel se tinha voltado a queixar de dor de cabeça, respondendo precisamente da mesma forma quando lhe perguntaram onde. Para ajudar, tinha caído e batido com a cabeça numa cadeira, fazendo um hematoma na testa. Gelei. Um desfile de possíveis sintomas começaram a aglomerar-se na minha cabeça. A queda da cama, os vómitos uns dias depois, a falta de apetite dos últimos dias... sintomas que podiam significar tudo, como podiam não significar nada, mas que me deixaram logo em alerta total.

Liguei ao pediatra, que estava no hospital a dar consultas e não me atendeu imediatamente. Ao ver passar o tempo e sem conseguir falar com ele, comecei a entrar em pânico. Deixei de pensar noutra coisa, foquei-me apenas no meu filho e no que poderia ter, e deixei-me entrar numa onda de pânico. Quando consegui falar com o pediatra, acalmou-me um pouco, é certo, e combinou que íamos a uma consulta às 18h para o ver. Fiquei convencida, mas passados uns 10 minutos desta conversa, voltei a entrar na mesma espiral de desespero. E se ele não estivesse bem? E se precisasse de fazer exames? Ia esperar pelas 18h? Não! Não ia! Voltei a telefonar-lhe, e combinámos que ia ser visto meia hora depois!

Saí do trabalho, fui buscá-lo à creche, e fomos à consulta. Fez os exames neurológicos, e aparentemente não apresentava qualquer sintoma. Ainda assim, o Dr.º [porque me conhece muito bem e sabe que eu não ia ficar descansada] recomendou que fosse ao hospital fazer um Rx craniano. 

Levei-o à creche novamente, para dormir a sesta e lanchar, e voltei para o trabalho. A capacidade de concentração não era das melhores, mas teve que ser! Por volta das 16h30 fui novamente buscá-lo, e fomos ao hospital fazer os exames.

O Daniel e a Carolina nunca tinham entrado num hospital desde que, com 15 dias de vida, vieram para casa. Nem sequer sabiam bem o que era. Percebiam que era um sítio onde se vai quando se está doente, mas pouco mais. Olhavam à volta com um ar curioso, faziam perguntas, e falavam muito alto, achando que era um sitio como outro qualquer e que podiam perfeitamente brincar à vontade. 

Os tempos de espera deixam as crianças impacientes, mas tivemos sorte, e fomos atendidos bastante depressa. O papá foi passear com a Carolina e eu entrei com o Daniel. Vestimos os coletes de chumbo, e fomos para a máquina de Rx. A técnica explicou ao Daniel o que íamos fazer! Tirar uma fotografia à cabeça, numa máquina gigante! Explicou que ele tinha que ficar muito quietinho para que fotografia ficasse bem. Ele percebeu, colocou-se em posição, e deu-me a mão. 

Quando a máquina começou a mexer-se e a fazer barulho, não conseguiu evitar e olhou para ela! Era suposto manter-se de lado, mas não conseguiu! Foi preciso tentar várias vezes até conseguir finalmente fazer a radiografia lateral, e mesmo assim, ficou um pouco desfocada. A segunda, de frente, foi muito mais fácil. Disse-lhe para olhar para a máquina que ia tirar uma fotografia! Que a máquina era parecida com a do Pau mas maior. Ele colocou-se de frente, sorriu e ali ficou! A radiografia frontal saiu bem à primeira, e quando a técnica regressou à sala e lhe disse que se tinha portado bem, perguntou: "Ficou gira a tugafia?". Quando chegámos ao carro, abri o envelope e mostrei-lhes a radiografia, e o Daniel ficou muito desiludido. Pegou na folha, observou atentamente e disse: "Mamã a minha cara não tá igual! Pareço um fantasma!" Lá expliquei que aquela fotografia era para ver a parte de dentro da cabeça, mas não ficou nada satisfeito com o resultado!

Saímos do hospital direitos a nova consulta para mostrar os resultados. Já estava mais tranquila, mas precisava do veredicto final. Confirmou-se que à partida não há qualquer motivo de preocupação. Devemos, no entanto, continuar atentos a sinais que possam ser alarmantes. 

As dores de cabeça infantis são raras. No entanto, podem ocorrer e podem ser indicativas de problemas graves. Excesso de preocupação não é benéfico nem para a criança nem para os pais, mas convém estar alerta, pois as coisas más não acontecem só aos outros. Ontem sofri como nunca tinha sofrido, levantei a minha veia carpideira de desgraças, e vi todos os cenários negros possíveis. Felizmente, não passou de um susto!

1 comentário:

Ana Carina Batista disse...

Graças a Deus que está tudo bem. Os nossos meninos são os nossos tesouros por isso compreendo perfeitamente o "desespero".