Coisas que me consomem!

Há poucas coisas que me deixam incapacitada. Regra geral, sou uma pessoa despachada que faz várias coisas ao mesmo tempo sem qualquer problema. Excepto quando há alguma questão de saúde que me deixe em mau estado.


Deve haver duas coisas que me deixam assim mais prostrada: gastro-enterites [que felizmente é coisa que não me costuma acontecer muito] e enxaquecas. Antes de engravidar, tinha enxaquecas regularmente, e conseguia tratá-las com os medicamentos mais correntes para este tipo de problema. Uns meses maiores outros meses mais pequenas, regra geral, chateavam mas não incapacitavam. 

Quando engravidei, e durante algum tempo depois deles nascerem, as alterações hormonais fizeram com que as enxaquecas desaparecessem por completo! Confesso que fiquei bastante feliz com isso, e não tive saudades nenhumas! Achei eu, na minha santa ingenuidade, que estava despachada quanto a essa maleita.

Só que, a determinada altura, voltaram! Assim devagarinho, como quem não quer a coisa, ora um mês tinha ora no seguinte já não tinha, mas começaram sorrateiramente a voltar a instalar-se por  cá. Continuei a conseguir controlar a coisa com os medicamentos a que normalmente recorria, tipo Clonix, ou em situações mais dramáticas Zomig.

No mês passado, tive uma enxaqueca gigante, que durou 5 dias. Começou a uma 5.ª feira, e só na 2.ª feira consegui que passasse. Tomou proporções de tal forma gigantes, que no domingo passei todo o dia de cama, com náuseas e tonturas, no escuro e sem ruído. Os miúdos estavam com os avós paternos, o pai tinha ido para uma prova desportiva, e eu estava sozinha. O meu pai levou-me almoço e medicamentos, pois o que tinha em casa estava a mostrar-se insuficiente e eu já estava a desesperar. Ao final do dia sentia-me melhor, mas não totalmente bem, e na 2.ª feira acordei outra vez pior. Tive que tomar uma decisão que nunca tinha tomado antes na minha vida: fui para o hospital! Só tinha ido duas vezes a uma urgência hospitalar. Uma delas, a primeira, foi na sequência de um acidente de viação, em que desmaiei ao volante na A2 e bati na traseira do carro que seguia à minha frente. Fui assistida no local, mas a equipa de técnicos de saúde da ambulância fez questão de me levar para o hospital para observação. Teimosa como sou, recusei, mas não me deram hipótese. Fui de ambulância para a urgência do hospital, a receber oxigénio, e a reclamar o caminho todo, afirmando que estava bem! [E estava! Depois de feitos os exames confirmou-se!]. A segunda vez foi quando me rebentaram as águas, e a decisão era óbvia! Tinha mesmo que ir para o hospital para os meus filhos nascerem!

Por isso, para quem me é próximo e me conhece, no mês passado quando eu disse que precisava de ir para o hospital, ficou alarmado! Dei entrada na urgência do CUF Descobertas, e depois da triagem foi-me atribuída pulseira amarela. Para mim, leiga nestas matérias, isto significou chinês, mas houve quem me dissesse que era para casos graves! Pesquisei depois sobre o assunto, e descobri a Triagem de Manchester, em que pelo que percebi, o vermelho é para casos de morte eminente, o laranja para muito graves e o amarelo para graves, ou seja, fui considerada um caso grave! Fui consultada por um médico impecável, que depois de me observar prescreveu que me fosse administrada medicação por intra-venoso. Passei cerca de 1h30 numa sala de tratamento, oscilando entre o frio que tinha quando cheguei, e o calor que comecei a sentir quando a medicação me começou a fazer efeito. O facto é que depois disso, saí de lá pelo meu pé, e embora me sentisse combalida, a dor de cabeça tinha passado! Voltei à consulta, de onde saí com uma receita para aviar e medicamentos para SOS. Caso estes medicamentos não funcionassem, deveria voltar a procurar um médico.


O assunto passou, até que na 5.ª feira passada [sempre à 5.ª feira!] acordei outra vez com dor de cabeça. Não era muito forte, mas tive receio que piorasse pelo que logo de manhã decidi tomar um ben-u-ron. Não passou. Na 6.ª feira continuava na mesma com tendência para piorar, pelo que resolvi fazer o tratamento que tinha sido prescrito no hospital: Aspegic 1000 combinado e tomado em simultâneo com Primperam. Mais uma vez, melhorou, mas não resolveu! Sábado acordei mais ou menos igual, repeti o tratamento e saí. Passei o dia todo com uma leve moínha, daquelas que "não matam mas moem". Ao fim do dia tomei um Brufen 600.
Manhã de domingo, acordei na mesma, para pior. E aí sim, fiquei desesperada! Já estava a imaginar-me a repetir a brincadeira do mês passado, e acabar numa cadeira de hospital com uma agulha espetada no braço! Tomei um ben-u-ron e pedi conselhos à minha enfermeira de estimação! Recomendou-me que tomasse outro brufen 600 em cima do ben-u-ron, e que me deitasse no escurinho e em silêncio! Os miúdos saíram com o pai, e eu deitei-me! Adormeci rapidamente, e só voltei a acordar quando eles regressaram a casa. Embora não tenha ficado a 100%, melhorei significativamente! Já me sentia capaz de fazer o almoço e todas as restantes tarefas domésticas que tinha para fazer! Ainda andei um pouco em baixo o resto do dia, mas hoje, depois de uma noite de sono, acordei bem! Aparentemente, desta vez resolvi o problema!

Agora tenho que encontrar um médico que perceba destas coisas, para marcar uma consulta e tentar perceber se realmente estas enxaquecas são de origem hormonal, como me parece, e tentar encontrar um tratamento de prevenção, que evite que me veja nesta situação com frequência! Recomendações, alguém tem?

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