Nostalgia vs Alegria

Ao longo da nossa vida, vamo-nos cruzando com muitas pessoas. Quer a nível pessoal, quer a nível profissional. Umas marcam-nos mais, outras marcam-nos menos. Umas ficam por cá e são presença regular, outras desaparecem, e outras apesar de não estarem permanentemente em contacto, estão perto o suficiente para entrarmos em contacto sem dificuldade.

A 8 de Maio de 2000 [sim! eu fixei a data!], comecei a trabalhar na "casa" onde ainda hoje estou! Entrei ainda como estudante, estando o curso a 2 semestres curriculares do fim, como estagiária. As aulas passaram a ser obrigatoriamente em regime pós-laboral [não havia alunos suficientes para duas turmas, pelo que passámos todos para pós laboral no 4.º ano de curso], e eu comecei a enlouquecer com o que havia de fazer com os meus dias!

Insatisfeita e inconformada, decidi redigir uma carta a fazer um pedido de estágio na minha área, que enviei para diversas empresas da zona. Passados alguns meses e após algumas respostas negativas, recebi uma resposta positiva! Um pouco a medo, como é natural aos 21 anos, lá fui eu para o meu primeiro dia de trabalho. Fui bem recebida, integrada numa equipa jovem e dinâmica, e depressa me ambientei! De estagiária passei a contratada, e depois a efectiva.

Nesta equipa estive 3 anos! Passados os tais 3 anos, fui desafiada para mudar de trabalho. Dentro da mesma empresa, mas para uma área diferente. Aceitei o desafio [sempre gostei de desafios], que acreditei que só me traria boas experiências e aprendizagens e abracei um novo desafio! Estive neste novo trabalho outros 3 anos, e após uma reestruturação interna que extinguiu o serviço em questão, integrando a equipa e respectivas funções dentro de outra divisão, fui convidada para ir trabalhar para a área do mestrado que estava a frequentar na altura. Achei que era uma proposta irrecusável, e lá fui eu, dentro da mesma entidade, mas para uma área de trabalho que não tinha a ver com a minha formação de base. 

Depressa percebi que o meu futuro profissional não passava por ali. Aquela área era muito engraçada, mas na óptica do utilizador, e não para trabalhar todos os dias no carregamento e gestão de informação. Por isso, no dia em que fui chamada para uma reunião de emergência, em que me pediram para assumir responsabilidades numa outra área, ligada à minha formação de base, para substituir uma colega em licença de maternidade, nem olhei para trás! 

Em 2008 comecei a trabalhar na área da Qualidade da Água. Até hoje, é lá que estou! É uma área que gosto, e ao contrário do que imaginava, que me trouxe desafios interessantes e me ensinou muito. Aprender sempre mais, tem sido a minha postura a nível profissional desde sempre! Quero sempre mais, sou contra estagnar, contra ficar acomodada. Como me escreveram um dia destes numa troca de emails: "Se paramos, emburrecemos!"

No fim do ano passado, concorri para uma vaga, na minha área, mais perto de casa. Por todos os motivos e mais alguns, cada vez mais sinto que estar ao pé de casa é vantajoso! Na altura não fui seleccionada, mas continuei com a ideia de tentar novamente. 

No inicio deste ano lectivo, os miúdos mudaram de creche, também para mais perto de casa, e a ideia de voltar a tentar mudar de trabalho voltou a fazer-me mais sentido. Fiz alguns contactos informalmente para saber se haveria hipótese de conseguir uma transferência, mas como soube que no imediato seria difícil, decidi esperar pelo inicio de 2016.

Até que, no inicio deste mês, recebi um telefonema a perguntar se ainda tinha interesse em ir para lá. Depois de uma reunião rápida, fiquei a pensar que seria coisa para demorar e eventualmente não se efectivar, mas enganei-me! Dia 2 de Novembro, próxima segunda feira, começo a trabalhar para outra entidade. 

Ao fim destes anos todos, deparo-me com um dilema. Sinto-me entre a nostalgia e a alegria. Por um lado, sinto-me muito feliz por conseguir o que queria, por mudar de trabalho, voltar a ter a oportunidade de alargar horizontes, e por ter um novo desafio profissional à minha frente. Por outro lado sinto-me nostálgica, por deixar de ter presentes na minha vida no dia a dia pessoas de quem gosto e que estimo, e que muitas vezes me deram uma palavra de conforto num dia menos bom, me ajudaram num momento de dificuldade, me consolaram em silêncio com um simples olhar num momento de desespero. 

Essas pessoas, sei que estarão sempre presentes na minha vida, mas não as vou ver todos os dias, não vou estar com elas nas pequenas pausas para beber café ou almoçar, não as vou ter ali "à mão de semear" quando precisar de desabafar.

Amanhã, vou pela última vez entrar no escritório habitual, ver as caras que me são familiares, trabalhar em frente ao mesmo écran de computador.

Segunda feira começo uma nova vida! 

5 comentários:

Filipa & os 7 Oficios disse...

Olá Sara
Pela tua conversa percebo que nos vais deixar...Vais para Palmela?
Desejo-te muita sorte neste teu novo trabalho e que seja tudo o que tu estás á espera.
Sabes que podes contar sempre comigo para o que precisares.
Beijinhos e "Muita MERDA"

Filipa & os 7 Oficios disse...

Olá Sara
Pela tua conversa percebo que nos vais deixar...Vais para Palmela?
Desejo-te muita sorte neste teu novo trabalho e que seja tudo o que tu estás á espera.
Sabes que podes contar sempre comigo para o que precisares.
Beijinhos e "Muita MERDA"

A Soma Subtraída disse...

É só mais uma fase amiga, um crescimento, um novo desafio como tu tanto gostas... torci por demais desde o ano passado para que conseguisses E conseguiste, o passado é história que faz parte de nós está na hora de agarrares bem o agora, porque quem espera sempre alcança! Sê feliz!

Ana Barcelos disse...

Sei o que isso é.
Estive numa empresa poucos mas bons meses onde fiz grandes amigos e o ambiente de trabalho era para além de excepcional... No início deste mês tive a proposta de voltar à minha área numa empresa onde já tinha trabalhado e não pude recusar devido a ser em full time e infelizmente neste momento quem manda são os €! Todos os dias morro de saudades daquele lugar e daquele ambiente mas é assim a vida!
Beijinhos*

Cabanas disse...

Nada de nostalgias... Foco total nos novos desafios... muita energia e muitos sorrisos...