#3 Our Pets | Um dia sentimos que tinha que ser...



Já vos tinha falado aqui sobre o mais novo membro da família. Resgatámos um melro bebé, há cerca de 1 mês atrás, e temos vindo a alimentá-lo e a ensiná-lo desde então.

Começou a responder à minha voz logo no 1.º dia, e bastava chamá-la para receber logo um piar de volta!

Comprámos uma ração adequada para este tipo de aves, umas larvas [tenébrios] que também nos foram recomendadas, e nos primeiros dias, era totalmente alimentado à mão. Com o passar do tempo foi ganhando alguma autonomia.

Entretanto percebemos que não era um macho, mas uma fémea, e passou a chamar-se Kika em vez de Kiko!


Acompanhou-nos para todo o lado enquanto não sabia comer sozinha, mas quando aprendeu a fazê-lo, passou a viver muito bem instalada no nosso terraço. Entretanto comprámos uma gaiola grande, adequada para papagaios, para que não se sentisse demasiado fechada.


Todas as manhãs ao acordar, os miúdos queriam ir ver a Kika! Tapávamos a parte de cima da gaiola com uma toalha durante a noite, para a proteger da humidade da noite, e de manhã íamos destapar, renovar a água, e dar-lhe algumas larvas, que apesar de já saber comer sozinha, gostava muito dos nossos mimos. Ao fim do dia, antes de deitar, repetia-se a rotina.


Esta semana, na 2.ª feira, numa das tardes de muito calor que se têm feito sentir, deixámos a gaiola dentro de casa, para que a Kika não sofresse um golpe de calor. Quando regressámos, fomos encontrá-la fora da gaiola, pousada em cima das grades. Havia bastantes penas espalhadas pela zona, e pareceu-nos que o que aconteceu, foi que ela quis sair, e forçou a zona junto às junções das grades, onde o espaçamento era maior, até conseguir. Não fugiu, não se afastou, mas quis sair.

Por isso, acabámos por decidir que estava na hora de a libertar. Confesso que foi com o coração muito apertado que lhe abri a porta da gaiola na manhã seguinte. Demorou uns minutos a sair, e só saiu porque pus a mão lá dentro e saltou para o meu dedo [como fazia sempre]. Andou pelo chão do terraço durante bastante tempo, comeu larvas pela minha mão, e depois de uns bons 15 minutos, esvoaçou para cima da mesa. Decidimos que era altura de voltar para dentro de casa e esperar que a Kika decidisse o que queria fazer.

Depois de todos vestidos e despachados para sair, voltei lá fora. Não a vi pelo terraço, e subi para cima da mesa, para ver o telhado. Não a vi, mas chamei-a. Imediatamente ouvi-a responder! Conheço o piar dela no meio do piar das centenas de pássaros que por ali andavam, como uma mãe conhece a voz de um filho.

Apareceu-me vinda do telhado, a esvoaçar e a saltitar pelas telhas. Ficou a olhar para mim, e piou. Naquele momento temi pelo futuro dela. Apeteceu-me subir ao telhado, apanhá-la e voltar a pô-la na gaiola! Ali sabia-a segura, e bem alimentada. Mas não podia. É um pássaro selvagem! Merece viver em liberdade e não numa gaiola. Deixei-a ficar. 


Ficou a esperança de que voltasse. Deixámos a gaiola aberta, comida e água nos comedouros, e tudo para a receber. O facto é que já passaram 3 dias e da Kika nem rasto. Aflige-me pensar que pode ter corrido mal. Afligiu-me pensar onde estaria na primeira noite, se teria conseguido encontrar comida e água, se tinha encontrado onde dormir. Se queria voltar e não conseguiu, ou se simplesmente não queria, e encontrou o caminho dela. Aflige-me pensar que provavelmente nunca mais a vou ver nem saber o que se passou. Provavelmente alguns dos que me lêem estão a pensar que... afinal... é só um pássaro, mas o facto é que me afeiçoei a ela, e agora sinto-lhe a falta!

Quero acreditar que tudo correu bem, e que a Kika anda por aí a voar, com um melro macho que entretanto a encontrou e se juntou a ela! Porque afinal, é isso que é suposto ser a vida de um melro!

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