"Quem é que expulsa o amor da sua vida?" by Andreia Miranda

A Andreia tem um daqueles sorrisos que contagiam. Brilhante, franco. Tem um brilho nos olhos... é uma miúda que cativa! A Andreia também gosta de escrever, e partilha pedaços de si aqui. Não a conheço há muito tempo, nem a conheço bem, mas simpatizo com ela! É daquelas pessoas que são empáticas! A Andreia é jornalista, e deixou-nos uma história de amor, que pode ser a dela, ou a de qualquer pessoa! Afinal, a vida é feita de encontros e desencontros!

"2011. Lisboa. Um trabalho no centro de Lisboa fez com que nos cruzássemos. Eu era nova na cidade, não conhecia ninguém. Ele, já habituado a Lisboa, ajudou-me. Achei-o simpático. Dele, só o nome, nada mais. Nem sequer o número de telefone. Depois de uma longa relação falhada tinha medo de me envolver. Até que ele dá o primeiro passo e me pede para conversar. E eu digo que sim. Ele sorri. E o meu telemóvel toca mais vezes ao dia. Ele quer mesmo conhecer um pouco mais da miúda que troca os v's pelos b's sem vergonha alguma. Eu, que não parecendo sou tímida, demoro a conseguir responder sem ser a "saca rolhas". Aos poucos vamo-nos conhecendo. Um dia tomamos café, no outro jantamos, num fim-de-semana vamos caminhar junto ao rio e um dia ousamos em tomar o pequeno almoço juntos. Tudo era perfeito. Ele fazia-me sorrir e sentir bem nos braços dele. Nunca fizemos planos. "Indo e vendo". Até que um dia ele chegou e disse que ia embora. Para longe, muito longe. As noites de home cinema chegavam ao fim. As bolachas partilhadas também. Os exercícios, as saladas, as teses e as notícias passavam a ser feitas a solo. E o meu coração foi-se partindo em bocadinhos à medida que ele atravessava o mundo para trabalhar. Ele tentava conversar, ligar e eu tentava que tudo parecesse normal. Até que tive de desligar. Ele tinha ido e eu ficado. Ele vivia. Eu sobrevivia. Apanhei um avião e "fugi" do país para me encontrar. Num sítio novo, sem ninguém me conhecer. Sem forma de ele me contactar ou saber onde eu estava. Desapareci-lhe para me reerguer. O regresso foi difícil. A casa ainda cheirava a ele. Mudei de casa. Mudei de roupas. Mudei de rotinas. Mas ele descobriu-me. Um dia, ao chegar a casa, ele estava sentado nas escadas ao lado da porta do meu apartamento. Eu saí do elevador e voltei a entrar. Desci, subi e ali estava ele, à minha frente, de carne e osso e de sorriso aberto. Fiquei estática. Pálida. Boquiaberta. Abri a porta, ele entrou e esperou que eu falasse. A resposta dele ao "chorrilho" de questões que lhe coloquei foi apenas uma: "voltei para ficar e só vou embora se me expulsares". Quem é que expulsa o amor da sua vida?

 
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