A História da Marta

A Marta tem aquele olhar doce que nos cativa no primeiro momento. Conhecia-a pessoalmente num workshop de culinária para o qual fomos ambas convidadas, e a empatia surgiu naturalmente. É casada com o João, e têm dois filhos lindos! Escreve o My Baby Blue Blog, e deixa-nos uma história de um amor, que poderia ser a de qualquer um de nós.

 
"Ela entrava na biblioteca e ele começava a ficar nervoso. Já sabia que era ela, aliás só poderia ser ela, com aquele andar e com aquele perfume que já tão bem conhecia e sentia. Espreitou por cima do livro e viu o cabelo ondulado e dourado a cair pelas costas bem desenhadas, hoje mais curto do que ontem. Era já um ritual tão repetido e tão vivido. Ele chegava mais cedo, logo pela manhãzinha para garantir aquela mesa com aquela cadeira de frente para a entrada. Espalhava os livros como quem estivesse mesmo a estudar, pegava na caneta e rabiscava pelas horas fora até ela chegar.

Não sabia se eram 2 horas, ou mais, que esperava, ali debaixo da janela grande, a olhar para o jardim verde e para a porta sempre que o mínimo de barulho fosse ouvido. Sentia primeiro o perfume a entrar e encher a sala, aquele perfume fresco da primavera já misturado com o cheiro da pele e do champô. Depois sorrateiramente ouvia-se os sapatos a pisarem levemente o chão, e a porta a abrir.

Sempre de calções e com umas blusas largas para cima, já com um ar de verão, e um lenço que lhe fazia brilhar os olhos verdes, dirigiu-se ao balcão para dar entrada e sentou-se na mesa em frente à dele. Ele, nervoso e ansioso, tentava em vão não espreitar pelo livro, e tentava mesmo dar aquele ar que nem reparei quem chegou. Os livros abertos e intactos desde que chegou começavam a ocupar espaço na mesa e a caneta começou a rolar para o chão.
 
Acontecia sempre isto. Sempre e todos os dias, tanto ele como os seus livros ficavam nervosos depois de ela chegar e tudo parecia cair ao chão e fazer barulho. Ela olhava para a mesa em frente, e sorria. Aquele sorriso aberto e doce, que deixava transparecer os dentes brancos e perfeitos, e os lábios delineados na perfeição. Bastava-lhe isso. Aquecia o corpo e alma. Alimentava-o durante o dia, durante a noite fria e longa.

Em tempos, alguém lhe perguntou porque não falava com ela, e apenas se limitava a observar. Será falta de coragem? Perguntaram-lhe. Não, coragem eu tenho. Mas este doce encanto do sonho, do "e como será?" Faz-me melhor do que a realidade. Ela é para mim uma porta aberta para um jardim cheio de possibilidades e ilusões. Envolve-me e abraça-me num conjunto de ideias e sonhos que posso ter sozinho todas as noites. Ela, é um mundo não definido, um escape desta realidade fria e dura. Ela deixa-me voar até onde quero ir, sem me prender e fazer perguntas, sem falar, só a sorrir."
 

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