Golpe de Calor

O calor, expõe os bebés e as crianças ao risco de desidratação rápida. Uma vez que estes são mais sensíveis, a termo-regulação é menos eficaz e a quantidade relativa de água que possuem no seu peso corporal é mais importante do que nos adultos. Por outro lado, quando as crianças precisam de satisfazer as suas necessidades hídricas, normalmente necessitam de ajuda, não tendo a independência de beber água por si.
 
Para prevenir os golpes de calor, quando dentro de casa ou na creche, devem-se manter as crianças com vestuário leve ou apenas de fralda, particularmente durante o período em que estão a dormir, sem os cobrir com lençóis ou cobertores e devem-se dar banhos frequentes durante o dia com água a uma temperatura 1 ou 2ºC abaixo da temperatura corporal. Deve ainda, oferecer-se água regularmente, para além daquela que bebem no seu regime alimentar habitual. Deve vigiar-se a qualidade da alimentação e providenciar refeições leves e frequentes (saladas, frutas e vegetais). Devem evitar-se as saídas para o exterior durante os picos de calor, particularmente se se tratar de um lactente, e em caso de saída, devem vestir-se as crianças de acordo com a Circular Informativa n.º 21/DA, da Direcção-Geral da Saúde, evitando partes expostas da pele, sem esquecer o chapéu e óculos de sol, e deve-se utilizar de forma abundante e regular um protector solar com um índice elevado.
 
Segundo o portal da saúde, os primeiros sinais de um golpe de calor incluem febre, ruborização da pele, pulso rápido, sonolência ou agitação atípicas, sede intensa e/ou perda de peso, perturbações da consciência, recusa ou impossibilidade de beber. Ao detectar alguns destes sinais, deve-se pôr a criança numa divisão fresca, dar-lhe imediata e regularmente líquidos, se estiver consciente, fazer baixar a febre através de um banho com água 1 ou 2ºC abaixo da temperatura corporal, contactar um médico e/ou contactar o serviço Saúde 24.

A nossa casa é quente, muito quente mesmo. Vivemos num prédio que tem 3 fachadas expostas ao Sol, pois apenas a 4ª é partilhada pelo prédio do lado. Vivemos no ultimo andar. Vivemos num duplex, em que os quartos são no piso superior, e que tem tectos em esconso, com o telhado logo ali a torrar ao sol todo o dia. Resultado: uma casa muito muito quente, em particular nos quartos. Com as temperaturas dos ultimos dias, a temperatura dentro de casa foi aumentando, e durante o fim de semana foi terrível viver naquela casa.
Os miúdos sempre rabugentos, chorosos e queixosos, sem comer, sem dormir. Cheios de calor mesmo estando só de fralda e a serem borrifados com spray de água termal a toda a hora. Sucederam-se banhos, estiveram muito tempo de molho na piscina do terraço, até dormiram no terraço, já que a sesta nas camas deles foi pouco descansada. 
Os avós levaram uma ventoínha, que foi instalada no quarto deles, mas nem a recirculação de ar ajudou. Ontem ao fim da tarde, fomos com eles a uma piscina de uns amigos. Desde que chegaram, se despiram e foram para dentro de água, melhoraram significativamente. Sentados nas cadeiras, ao ar livre e despidos, jantaram uma canja de peru acabada de fazer e de seguida 1 banana. Comeram bem, pela primeira vez desde que o calor chegou. De seguida, adormeceram os dois, com um ar cansado, mas tranquilo, pela fresca do fim de dia na rua. Foi o que salvou o fim de dia de ontem!
 
Os dias têm sido maus, mas as noites têm sido piores. A última, foi a pior de todas... toda a noite houve queixumes, choros, desconforto. O Daniel ás 7h da manhã tinha 38,5ºC de temperatura corporal, chorava, estava ruborizado, prostrado e sonolento, com a pulsação muito acelerada. A Carolina não tanto como o irmão, mas apresentava também sinais de desconforto. Beberam 1/2 litro de água depois de mamar, pelos dois, e queriam mais. A temperatura corporal não descia, tomaram banho de água tépida. Para a Carolina funcionou, melhorou a disposição, arrefeceu o corpo, ficou mais tranquila. Para o Daniel não. Continou com os mesmos sintomas. Na viagem de carro para a creche, com ar condicionado, a Carolina adormeceu tranquila. O Daniel não... não se mexeu, não palrou, não esboçou um sorriso... de olhos semi-cerrados, com um ar extremamente prostrado, veio imóvel todo o caminho. Deixei-o na creche, com o coração nas mãos, e com as recomendações todas. Aninhou-se no colo da Ana, e ali ficou. Telefonei à pouco, soube que já tinha estado na banheira um bom bocado a brincar com duas bolas, que comeu maçã e banana e um bocadinho do almoço que levou. Estava deitado numa espreguiçadeira com um lençol por baixo, para ficar mais fresco, e a temperatura corporal tinha baixado um pouco.

Estou a trabalhar angustiada. Preocupada com o estado deles. Preocupada com o que vou fazer quando regressar a casa, com a temperatura que estará em casa, com a falta de condições para que os meus filhos estejam confortáveis. Toda a vida adorei o calor, toda a vida detestei o frio, toda a vida preferi o Verão ao Inverno, o calor extremo ao frio extremo. Este ano, pela primeira vez, digo alto e bom som: MALDITO CALOR!

1 comentário:

Patrícia Bejinha disse...

Estou contigo!
Que fartação. Aqui temos o mesmo problema com a casa. É horrível dormir para nós adultos, quanto mais para eles pequenos.
Aqui as noites também têm sido do pior...!