Amamentação, até quando?

Tenho uma amiga que está com dificuldades de amamentação. A bebé nasceu na 2a feira passada, estão em casa desde 4a feira, e ela já esta com o peito gretado e aflita com a amamentação. Não a vi, apenas falei com o marido, mas pelo que me explicou, pareceu-me que a bebé estará a fazer uma pega incorrecta.

É muito comum, que os bebés recém nascidos tenham dificuldade em fazer uma pega correcta. Quando ainda estão no hospital, há sempre uma enfermeira a quem pedir ajuda, e a coisa acaba por se ir resolvendo, mas quando se chega a casa, estamos por nossa conta e risco, e o caso pode mudar de figura. Uma pega incorrecta, é mau para o bebé e é mau para a mãe. O bebé não consegue ter uma mamada produtiva, pois não estará a fazer sucção em toda a área que devia, e não esvazia os ductos todos do peito. Resultado? Pode ficar com fome, cansa-se muito mais porque para obter a quantidade de leite que precisa tem que se esforçar mais, e fica rabugento. A mãe, enerva-se porque o bebé não esta bem, fica com peito gretado, e corre o risco de fazer mastites por ter leite acumulado em ductos não esvaziados. Isto, claro, de uma forma muito genérica! 

Há muito mais que se diga sobre a amamentação e as dificuldades que dela podem advir. Quem me segue à algum tempo, talvez se recorde que passei um mau bocado no que toca a amamentar. 

Primeiro, os meus filhos precisaram de terapia para aprender a mamar (nasceram com 33 semanas, e nessa fase ainda não se adquiriram os reflexos de sucção e deglutição, pelo que não se sabe mamar... Foram alimentados a sonda nas primeiras 2 semanas de vida, e em simultâneo estimulados a aprender a mamar). Depois disto, e já em casa, foi a dificuldade em estabelecer a quantidade de leite. A produção era quase sempre superior à procura, houve peito encaroçado, houve mastites. Depois quando o peito doía tanto, e sangrava de tal forma, que bolçavam sangue (e me pregavam sustos terríveis com isso), atingi o auge do peito gretado. Não havia purelan ou qualquer outro creme que melhorasse ou tão pouco aliviasse. Era uma dor permanente! Era um pânico incontrolável quando a hora de amamentar se aproximava. E ainda por cima a dobrar... Controlava-me, dava mama ao primeiro, e quando estava prestes a perder o controlo e a rebentar em lágrimas, ele parava. Respirava fundo, trocava de bebé, e repetia a dose com o segundo. Foi uma fase complicada, foi uma fase dolorosa, e quase desesperante. 

(Na foto, ainda no hospital, dormiam ao colo depois de mamar. A sonda do Daniel, bem visível, por onde recebia o leite enquanto era estimulado a mamar)

Ainda assim, não desisti! A OMS recomenda o aleitamento materno exclusivo até aos 6 meses, e a manutenção do aleitamento até aos 2 anos. Os meus filhos, sendo prematuros, tinham o sistema imunitário mais débil, e as vantagens do aleitamento materno eram mais que muitas. Pesquisei muito, pedi conselhos, li e reli, troquei experiências... Um dia, cheguei ao manual de aleitamento materno da UNICEF. Li-o todo de ponta a ponta várias vezes (ainda tenho o pdf no iphone!). Estudei as imagens de correcção de pega, observei atentamente os meus filhos a mamar, e concluí! Precisava de corrigir a pega! Eles não estavam a mamar bem!

Muni-me de uma grande dose de calma e paciência, e comecei a tentar aplicar os conhecimentos adquiridos em tanta leitura e pesquisa. Na primeira vez correu muito bem, na segunda assim assim, na terceira já não me lembro, mas sei que consegui! Fui teimosa (como sempre), fui persistente, fui atenta... Tentei ensinar aos meus filhos uma das coisas mais básicas de que precisavam em tão tenra idade, e eles aprenderam! O peito cicatrizou, as dores e o sangue desapareceram, a amamentação deixou de ser um momento de sofrimento e passou a ser um momento de carinho e partilha. Comecei verdadeiramente a sentir o quão maravilhoso é amamentar.

Algum tempo depois, já convencida de que tudo estava mais do que ultrapassado, resolvi começar a extrair com bomba o excesso de leite, e congelar. Pode sempre fazer falta, pelo que apesar de ser chato e dar trabalho, é o melhor a fazer! Uns dias depois, apareceu-me no peito uma borbulhagem avermelhada que me dava comichão. Comecei a pôr purelan novamente, e deixei andar. Os dias foram passando e nada de melhorar! Quando finalmente vou ao médico, eis que descubro que a candida albicans, se tinha instalado no peito! (Nem sabia que era possível!). Excesso de procura - foi a explicação medica para o facto. Na prática, o meu peito não descansava! Entre duas bocas e uma bomba, estava constantemente a ser solicitado.

Novo tratamento iniciado, nova fase de recuperação, e nova fase de estabilização. Felizmente, foi a ultima vez que tive problemas com a amamentação! (Até agora! Não quero cantar de galo porque ainda não estou livre!). Embora me pareça que a dose foi mais do que suficiente, e que mereço um pouco de paz!

Passados todos estes meses, continuo a dar mama aos dois! Estão a 10 dias de fazer 1 ano, e mamam 3 vezes ao dia: pequeno almoço, lanche e ceia. Se podiam já não mamar? Podiam, claro! Mas se lhes faz bem, se lhes sabe bem, se eu tenho leite de sobra, e se posso dar, porque haveria de deixar de o fazer? A mim faz-me sentido manter a amamentação! Não sei dizer até quando será assim, mas enquanto for, vou continuar a amamentar os meus filhos! Quem já esteve ao pé de nós enquanto eles mamam, nem precisa que explique mais nada, pois já viu a satisfação deles quando mamam. Para quem não esteve, critiquem à vontade se acharem disparatado, apoiem se concordarem, porque eu tenho as minhas decisões tomadas e pensadas, e não será fácil muda-las.

Amamentar até quando? Cada caso é um caso! Cada mulher é uma mulher, cada bebé é um bebé! Depende de vários factores, depende da predisposição, depende da decisão pessoal de cada um! Eu, pessoalmente, olho para trás e fico feliz por ter sido persistente. Fico feliz por ter estabelecido a relação que tenho hoje com os meus filhos. Naqueles minutos em que todo o mundo desaparece e somos só nós! Uma partilha única, um vinculo único, que só pode existir entre mãe e filho, e que para mim... É das melhores coisas do mundo!

Se alguém por aí precisar de alguma dica, algum conselho, disponham! Não sou especialista na matéria, mas posso ajudar com a sabedoria que a minha experiência me deu. Eu sou pela amamentação!

2 comentários:

Vanessa Neves disse...

Também sou mãe de um casal de gémeos e acompanho o seu blog desde mais ou menos a altura em que soube que ía ter uma dupla! (que no meu caso a noticia foi:"sim confirma-se que está grávida e vêem-se os dois saquinhos!).
Os meus bebés fizeram ontem 2 meses e também amamento. Em exclusivo. Felizmente a adaptação à amamentação deu-se de forma tranquila sem problemas de maior. É verdade que eu também estava informada e também li e reli muita informação durante a gravidez. Ela sempre mamou, ele como nasceu com peso de rato (1,8kg, nasceram de 35s+5d), levaram-no à neo e ainda esteve com LA e sonda durante 2 dias. Passou repentinamente de LA para a mama e nc mais bebeu outra coisa senão este directamente da fonte!
No entanto, e apesar de para mim ter sido relativamente fácil, os primeiros dias não o foram. Não por má pega, mas pura e simplesmente porque era o inicio. As minhas mamas tiveram que se habituar a alimentar 2 bebés e passar como todas as outras (mamas ou mamãs), por aqueles processos fisiológicos iniciais menos agradáveis. Durou 4/5 no máximo. A partir daí tudo ok.
Defendo a amamentação, e claro está que por ser em livre demanda, às vezes passeio-me por sítios (bastante) públicos com uma mama de fora e um bebé agarrado a ela (como na corrida da mulher por exemplo, ou numa loja de chineses às compras!).
Defendo essencialmente que TODAS as mulheres deviam ser/estar bem informadas para poderem tranquilamente alimentar os seus bebés sem falsas informações e reacções (físicas e psicológicas) que as possam fazer desistir!

suzait disse...

Também sou pela amamentação. Não foi um processo fácil mas eu estava determinada em dar mama ao meu filho. Tive mastites, mamilos gretados e a sangrar mas também resisti e ele mamou até aos 19 meses. Foi das melhores experiências que tive e para além de ser uma necessidade fisiológica para eles cria-se um vínculo afectivo muito grande entre mãe e filho. É MARAVILHOSO :)