A febre e os dentes

Hoje estamos em casa "de quarentena". Na 3a feira, a Carolina teve uma pontinha de febre. Na 4a feira como acordou bem, foi para a creche. Quando a fui buscar, tinha mais febre do que na véspera e começava a dar sinais de alguma prostração. A febre manteve-se pela noite, sempre na casa dos 38,5-38,9.C. Na 5a feira acordou com a mesma febre. Ficou em casa com a avó e o mano. Eu fui trabalhar e vim a correr assim que consegui sair do trabalho. Falei com o Dr. C, que mandou vigiar eventuais sintomas secundários, e dar ben-u-ron no máximo de 6 em 6 horas para baixar a febre. Sintomas secundários, não houve nenhum! A febre ontem acabou por baixar e não voltou. Hoje ficámos por precaução, pois não sabendo o que provocou tudo isto, é preferível evitar que haja recaídas. E assim como se mete o fim de semana, na 2a feira já ela está a 100%!

As hipóteses que pus para a causa foram várias:

1. Constipação: sem tosse, sem ranho, sem dor de garganta - EXCLUÍDO

2. Otite: carreguei levemente atrás de ambos os ouvidos, e ela não se queixou - EXCLUÍDO (de referir que o Dr. C me disse que não se deve fazer isto! Vou apurar devidamente o porquê e depois conto)

3. Gastroenterite viral: não vomitou, não fez diarreia - EXCLUÍDO

4. Varicela: inspeccionei cada milímetro de pele, e até agora nada de erupções cutâneas. Certo é, que nos primeiros dias só dá febre, mas sendo que esta já desapareceu... EXCLUÍDO

Concluí por isso ter sido uma qualquer infecção ligeira, que apenas lhe provocou febre, não lhe tirou o apetite nem a boa disposição, não a incomodou em nada, não a fez dormir mal de noite, nem lhe deu qualquer incómodo ou mal estar.

Quando me perguntam por ela, e digo isto, oiço sempre a frase típica: "Ah isso é dos dentes!" Eu sei que não existem evidências cientificas sobre a ligação entre a febre e o nascimento dos dentes, mas resolvi pesquisar um bocadinho sobre o assunto.

A temperatura corporal normal é a expressão da energia, sob a forma de calor, que o organismo produz durante o seu metabolismo. A febre caracteriza-se por um aumento da temperatura corporal. É uma resposta biológica controlada pelo sistema nervoso e é um sinal comum a muitas doenças infantis. É um sinal de alerta, e não de alarme, de que muito provavelmente se está a iniciar uma infecção, quase sempre sem consequências, na qual a própria febre actuará como mecanismo de defesa. A febre, por si só, raramente é prejudicial e é sempre consequência de algo. Num bebé, só se deve considerar que efectivamente há febre, em temperaturas acima dos 38.C

Uma das causas mais frequentes da febre, embora não seja a única, são as infecções. As crianças com febre costumam ter frio e apresentam a pele das mãos e dos pés azulada, sarapintada e fria, devido a uma menor circulação sanguínea nestas zonas. Normalmente, não suam (sobretudo as crianças pequenas) e, muitas vezes, sentem arrepios durante os momentos de aumento ou descida brusca de temperatura. Muitos dos episódios febris duram entre 1 e 3 dias e são normalmente provocados por infecções víricas autolimitadas. Por conseguinte, muitas vezes não é necessário administrar antibióticos.

Geralmente, a quantidade de febre nem sempre está relacionada com a gravidade da doença (salvo no lactante pequeno) e não provoca efeitos indesejáveis. Além disso, as temperaturas inferiores a 39,5º são muito bem toleradas pela criança. Por outro lado, a febre também pode ser benéfica, ao estimular os sistemas de defesa do nosso organismo face à infecção e ao produzir um ambiente hostil para o desenvolvimento dos micróbios que causam as doenças. Por isso, nem sempre é fundamental tentar baixá-la a todo o custo.

3% da população infantil pode ter convulsões febris provocadas pelo aumento brusco da temperatura. À margem da angústia que habitualmente causam nos familiares, as convulsões febris têm características benéficas, não deixam lesões cerebrais e não requerem tratamentos posteriores. Finalmente, duas crenças falsas que convém banir: uma, que o rompimento dos dentes é causa de febre, e outra, que a febre alta pode provocar uma meningite.

Li em diversas fontes, que a melhor forma de medir a temperatura a um bebé, é fazendo a medição rectal. Não concordo. Primeiro, manter um dos meus filhos quieto durante 2 a 3 minutos com um termómetro enfiado no rabo, seria uma tarefa hercúlea. Segundo porque acho que há outras formas de o fazer, mais higiénicas, menos evasivas, mais práticas... Eu uso o ouvido. Primeiro até faço a medição por contacto na testa, mas se acusar mais do que 38.C, retiro a tampa de contacto do termómetro e introduzo no ouvido. Em 3 ou 4 segundos o termómetro da a leitura, pelo que quando vão queixar-se já eu estou a retira-lo, e depois a precisão é significativa. O nosso termómetro é da thermoval, faz medição na testa e no ouvido e gosto muito dele.

Fonte:

http://www.dodot.pt/artigos/-/info/details/content.58593/a-febre/


2 comentários:

Helena Neto disse...

Os meus pequenotes já têm dentinhos e o Xavier está a bater aos pontos o Vasco: já tem 5 dentes :D
Cada vez que vomitam, ou têm febres inesperadas (e curtas), diarreia, muita birra vou ver e ... é mais um dentinho :) Tb já li que nada disto é devido aos dentes, é mais sensibilidade a tudo o que os rodeia devido aos dentes.
Entretanto, obrigada pelo texto! :)

clinicadomarques disse...

Existem crianças que realmente fazem febre e diarreias com o nascimento dos dentes mas existem outras que não. Por isso mesmo, a febre pode não ser dentes mas é comum ouvirmos sempre essa expressão. Também gosto muito do termómetro de ouvido pois é rápido e com uma criança, medir a febre, se não for rápido, pode ser uma tarefa complicada.