Coisas realmente graves

Este post não fala de nós. Fala de um assunto delicado, um flagelo que ainda surge com demasiada frequência e tanto faz sofrer, o Cancro. Toda a gente sabe que o cancro é uma doença terrível, difícil de combater, que traz muito e muito sofrimento. Toda a gente sabe que ele existe, que há miúdos e graúdos que têm que lidar com ele, mas até ao dia em que bate à nossa porta, não perdemos muito tempo a pensar nisso.

Há muitos anos atras, o meu avô teve cancro. Combateu-o com toda a sua força e durante uns anos foi ele que ganhou a batalha. Até que um dia, o corpo se deixou vencer... e deixou-nos. Devia ter uns 12 anos na altura e lembro-me como se fosse hoje. Marcou-me porque foi a primeira vez que perdi alguém próximo, e porque descobri que existia aquela doença terrível que me roubou o meu avô. Se estivesse por cá faria hoje anos, se as minhas contas não estão erradas... 87 anos! Seria bisavô, e os meus filhos podiam rir-se e palrar os parabéns para ele. Os anos passam mas as saudades não.

Depois há uma vertente ainda mais assustadora desta doença... que é quando o cancro ataca crianças. Se num adulto a coisa já é suficientemente dramática, numa criança, toma proporções gigantes. Nunca tive (e espero nunca vir a ter), uma criança que me fosse próxima a passar por isso. Já tive uma menina, de quem fui chefe nos escuteiros há uns anos, que teve leucemia. Na altura fiquei triste e preocupada por ela, mas não senti a coisa de perto o suficiente para me fazer sofrer.

Agora que sou mãe, percebi que a preocupação com um filho é infinita. Tenho o meu filho constipado, ou a minha filha com uma conjuntivite, e ando preocupadissima. Quando um deles se queixa de uma qualquer dor ou indisposição, corro a tentar confortar, pego ao colo, cubro de beijos...

Há uns dias atrás, soube que a filha de uma amiga recente, pequenina, 4 ou 5 anos, está com um cancro no estômago pela segunda vez. Vai ser operada de urgência, e terá que voltar a passar pela tão dura batalha mais uma vez. A mãe esta devastada, claro. Embora de nada sirva, mandei-lhe umas palavras de alento... Porque me tocou pensar nesta menina e no que tem que voltar a sofrer.

Por ela, pelos meninos e meninas que passam por isto, para que vençam e tenham oportunidade de VIVER, escrevo este post! Muita força e coragem!

Escrevo também pelo meu avô, que esteja onde estiver, espero que saiba que já é bisavô, e que os bisnetos dele são lindos e bonzinhos, e gostava muito que o tivessem conhecido.

3 comentários:

Patrícia Nunes disse...

Fiquei com lágrima no canto do olho, pois lembrei-me de uma tia-avó que perdeu a batalha e outra que ganhou

Mr. A disse...

É uma doença estúpida, que nos deixa impotentes, expectantes, sempre com esperança, mas com uma guilhotina, sobre o nosso pescoço, que a qualquer momento pode cair.
A sentença vai sendo adiada e nós, tontos, pensamos que tudo vai correr bem.
Até que um dia...
Felizmente muita gente sobrevive à batalha, mas os números não deixam de ser avassaladores.
No final deste mês a minha mãe faria 65

Patricia Nunes disse...

Que post mais lindo! Fiquei de lágrimas nos olhos. Também perdi o meu avô assim, foi a primeira vez que o meu coração sentiu dor. verdadeiramente. Infelizmente já mais pessoas para esta doença e como diz bem, os anos passam mas as saudades não.
Um beijinho grande para ti, e para todos que já lidaram com esta doença.